Brasília - O governo reduziu de novo sua estimativa de produção de grãos e algodão na safra 2005/06. Ontem, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que os produtores colherão 121,1 milhões de toneladas no atual ano-safra, o que representa aumento de 6,3% em relação à safra 2004/05, que foi de 113,9 milhões de toneladas.
  A safra do ano passado foi muito prejudicada pelo clima adverso, principalmente na região Sul. Mas em relação à previsão anterior, divulgada em abril, a estimativa atual aponta recuo de 0,3% na produção. No mês passado, a estimativa da Conab era de colheita de 121,5 milhões de toneladas.
  Desde o primeiro levantamento, divulgado em outubro, a Conab vem reduzindo suas estimativas para a safra. Em outubro, a indicação era de colheita entre 121,532 e 124,854 milhões de toneladas. Os resultados dos levantamentos posteriores indicaram as seguintes produções: 122,668 a 124,881 milhões de toneladas; 124,403 milhões de toneladas; 122,562 milhões de toneladas e, finalmente, 121,5 milhões de toneladas no mês passado.
  A Conab só calcula a safra dentro de um intervalo na primeira estimativa. ‘‘A redução deve-se às condições climáticas adversas, como o prolongamento da estiagem na maioria dos Estados e o excesso de chuvas no Centro-Oeste, além da incidência de doenças fúngicas, como a ferrugem asiática da soja’’, afirmou o presidente da Conab, Jacinto Ferreira.
  De acordo com técnicos da estatal, a produtividade é o principal fator para justificar o crescimento de 6,3% na produção nesta safra na comparação com o ano-agrícola anterior. Neste ano, apesar da crise, os produtores colherão a segunda maior safra da história do País, superada apenas pelo recorde de 123,2 milhões de toneladas em 2002/03. Apesar da queda em relação ao resultado de abril, Ferreira descartou o risco de desabastecimento interno e lembrou os estoques acumulados pelo governo.
  A estimativa da Conab mostra que os estoques de passagem de milho são de 4,669 milhões de toneladas. Os estoques de arroz são estimados em 1,270 milhão de toneladas. Questionado sobre as manifestações de agricultores no Centro-Oeste do País, com bloqueio de estradas, Ferreira disse que o governo tomou algumas medidas para minimizar a crise. A região responde por 32,9% da produção brasileira, o que representa 39,8 milhões de toneladas. Ele citou a prorrogação de dívidas e a liberação de recursos para apoiar a comercialização, medidas que foram anunciadas no mês passado pelo Ministério da Agricultura. ‘‘Essas medidas devem trazer alguma recuperação de preços, mas não estamos confortáveis para dizer que estamos tranquilos’’, comentou o presidente da Conab.
  Ele salientou que a taxa de câmbio, apontada pelos produtores como causa da crise, é ‘‘uma mão dupla’’, pois, se reduz o rendimento dos produtores, quando o dólar em queda barateia as exportações, favorece os agricultores na compra de insumos. ‘‘Ninguém está achando que o câmbio está ótimo. Quando o produtor planta com câmbio mais baixo, essa relação compensa o custo de produção e o valor das exportações’’, disse Ferreira. Ele advertiu, no entanto, que o câmbio não pode ser o único culpado pela crise do setor. Ferreira lembrou que no ano passado houve uma redução da produção, o que descapitalizou os produtores. ‘‘Culpar só cambio pode ser um exagero.’’

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