O governo federal autorizou a retomada dos leilões de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) para escoar os estoques de trigo em poder das cooperativas na região Sul do País. O primeiro leilão está marcado para o próximo dia 17, terça-feira, e o governo vai oferecer prêmios aos moinhos para escoar 155 mil toneladas de trigo no Paraná, 110 mil toneladas no Rio Grande do Sul e 10 mil toneladas em Santa Catarina. O valor dos prêmios será divulgado dia 13.
O superintendente da Conab, Eugênio Stefanello, calcula que em três leilões o governo deverá liquidar toda a fatura do PEP para a safra passada. No Paraná, os estoques de trigo somam 400 mil toneladas e o fechamento da venda ‘‘vai estimular o produtor a plantar a nova safra’’, acredita Stefanello. Além disso, serão liberados os armazéns das cooperativas para receber a safra de verão. Para o presidente da Abitrigo, Antenor de Barros Leal, sem a interferência do governo, ‘‘dificilmente os moinhos iriam comprar o produto nacional, em função do custo do frete, que está muito mais caro no Brasil’’. Ele afirma que a diferença de frete chega até a US$ 23,00 por tonelada. Ele observou ainda que o setor também sofre a concorrência da farinha argentina. ‘‘Para se ter uma idéia, em 1997 entraram no país 400 mil toneladas de farinha de trigo’’, disse.
Segundo Leal, o frete de caminhão no Brasil custa duas vezes mais em relação ao frete de navio. Se os moinhos do Rio e de São Paulo comprarem trigo a US$ 120,00 a tonelada na Argentina, o produto chega ao destino custando US$ 152,00/tonelada, em função do custo do frete por navio. ‘‘Já essa mercadoria, custando os mesmos US$ 120,00 no Norte do Paraná, chega ao Rio por US$ 175,00 a tonelada’’, argumentou.
Leal diz que o governo deve continuar apoiando a produção de trigo, estimulando o produtor a plantar com tecnologia, para obter um grão de qualidade. ‘‘Não podemos depender exclusivamente de importações de um produto básico’’, disse.

mockup