Agência Estado
De Brasília
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, confirmou ontem que o governo está negociando a flexibilização das metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), entre elas o piso de reserva líquida em dólar do banco. A intenção do governo é caminhar para um modelo que priorize o sistema de metas de inflação como balizador do desempenho econômico.
‘‘Na última revisão, isso já estava implícito no próprio memorando que o fundo elaborou’’, disse. Segundo ele, essa é uma tendência natural das negociações. ‘‘O Brasil cumpriu todas as metas acordadas com o Fundo e é normal que a flexibilização esteja cada vez mais presente nas conversas’’. O diretor não quis adiantar os detalhes da negociação, mas afirmou que as conversas estão adiantadas.
A flexibilização das metas daria maior munição ao Banco Central para intervir no mercado de câmbio, principalmente, agora que o dólar rompeu a barreira dos R$ 2,00 e pode ter efeito negativo sobre a inflação. ‘‘Até quando os empresários vão conseguir assimilar a alta do câmbio e não repassá-la aos preços?’’, questionou uma fonte do governo. Figueiredo admitiu que o BC teria mais liberdade para operar no mercado de câmbio se as metas com o FMI fossem reavaliadas. Segundo ele, as atuais amarras impõem limites às operações cambiais. Mas argumentou que não faltam instrumentos para que a instituição possa influenciar o comportamento do mercado de câmbio. ‘‘Uma coisa é a capacidade do BC intervir, a outra é se ele vai fazer isso ou não’’, explicou o diretor. ‘‘Posso dizer claramente que o BC tem todos os mecanismos para intervir quando julgar necessário.’’ Figueiredo adiantou que a instituição planeja divulgar regularmente relatórios ao mercado com informações sobre o desempenho de indicadores que influenciem diretamento o mercado de câmbio, como o volume das reservas líquidas.
A missão técnica do FMI já deixou o País. Depois de duas semanas passando em revista todos os números do governo brasileiro, os técnicos, chefiados pela economista Teresa Ter-Minanssian, diretora-adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, concluiram ontem seus trabalhos e seguiram ainda à noite para os Estados Unidos. ‘‘Iremos discutir alguns pontos com a gerência do Fundo e encaminharemos o relatório para a reunião da diretoria, programada para o dia 29 de novembro’’, disse ontem Lorenzo Perez, representante do FMI no Brasil. Perez não quis adiantar nenhum ponto discutido.

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