Governo regulamenta captação do leite
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
Jander Ramon Agência Estado 
O presidente FHC deve assinar esta semana o decreto que estipula a nova regulamentação de captação, transporte e industrialização do leite até a primeira quinzena de julho. A informação é de Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, entidade que congrega os produtores. O decreto cuida das alterações e novas regulamentações a serem incluídas na lei sanitária, de 1952, e já passou pela consultoria pública, explica Rubez.
Segundo ele, o grupo técnico formado por membros do governo e da cadeia produtiva deve analisar até o fim deste mês as sugestões apresentadas durante a consulta pública, para que as propostas possam ser adicionadas ao texto principal do decreto e, posteriormente, assinadas pelo presidente da República e publicado no Diário Oficial da União.
De acordo com Antonio José Xavier, técnico em laticínios e um dos coordenadores da proposta de decreto formulada pela iniciativa privada, cada tipo de leite (A, B e C) terá a sua regulamentação alterada. Além disso, será criada uma regulamentação para o leite a granel e outra para o pasteurizado. A lei de inspeção sanitária e industrial para produtos de origem animal precisava ser adequada, afirma Xavier.
As novas exigências para o leite pasteurizado e para o tipo C criaram a necessidade de modificar a padronização de produção dos outros tipos de leite. Não adianta exigirmos um padrão de qualidade na produção do leite C, se o leite B já não tinha essas exigências. Foi necessário fazer uma adequação. Entre as determinações técnicas previstas no decreto de padronização de produção e industrialização do leite, está a proibição do transporte e armazenamento do produto dentro de latões. Dentro do latão, há um crescimento muito rápido das bactérias nocivas ao leite. Por este motivo, será obrigatório o armazenamento do leite dentro de tanques de resfriamento e o transporte só poderá ser feito em caminhões-tanque, afirma Xavier.
De acordo com Rubez, o leite poderá ficar armazenado no latão por até uma hora. É o prazo máximo que o produtor terá para levar o produto até o tanque de resfriamento, diz o presidente da Leite Brasil. Para que os produtores brasileiros possam se enquadrar nas novas normas, o governo federal criou o Programa de Melhoria de Qualidade do Leite (Proleite).
Na última quarta-feira, ao divulgar o plano de safra 2000/01, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou recursos de R$ 200 milhões para o Proleite, para serem utilizados na capacitação profissional dos produtores e trabalhadores do setor leiteiro, e em linhas de financiamento para a modernização tecnológica por meio de compra de equipamentos.
Apenas para qualificação e treinamento da mão-de-obra, o Proleite destinará R$ 50 milhões. O decreto prevê o prazo até 1º de julho de 2002 para os produtores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País se adequarem às novas normas. Já os produtores das regiões Norte e Nordeste têm até 1º de julho de 2004 para atender às novas exigências. O produtor que não se enquadrar nas novas regulamentações sofrerá sanções que vão desde advertências e multas, até o fechamento do estabelecimento.
Os empresários do setor leiteiro, representados pelo presidente da Leite Brasil, qualificam as novas determinações de produção como uma revolução no setor. O pequeno produtor não precisará mais acordar às 4 horas para ordenhar a vaca porque o caminhão vai passar às 7 horas na porta de sua fazenda. Com os tanques de resfriamento, o leite pode ficar armazenado por até dois dias, afirma Rubez.


