São Paulo - O governo federal decidiu atender a pedido dos bancos e mudar a fórmula de cálculo da taxa referencial (TR) em uma medida que vai reduzir a rentabilidade da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sempre que a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) cair abaixo de 12% ao ano.
O Conselho Monetário Nacional (CMN, que reúne os principais membros da equipe econômica) decidiu, em reunião extraordinária realizada na noite de segunda-feira, alterar os percentuais do redutor para o cálculo da TR.
Segundo o economista Miguel de Oliveira, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mesmo que os juros básicos caiam do atual patamar de 13% para 12% ao ano, nada vai mudar na remuneração da poupança e do FGTS.
Entretanto, se o Comitê de Política Monetária (Compom) do Banco Central reduzir os juros abaixo de 12% já neste ano, como é esperado pelo mercado, haverá também a redução da rentabilidade dessas aplicações.
Segundo cálculos de Oliveira, se a Selic cair para 11% ao ano, o rendimento da caderneta de poupança cairá de 0,64% para 0,58% ao mês. Já a remuneração anual das contas do FGTS passaria de 5% para 4,5% ao ano.
Por outro lado, Oliveira afirma que se a Selic se mover na direção inversa do esperado pelo mercado e subir, por exemplo, para 15% ou 16%, também haverá aumento da remuneração da poupança e do FGTS, já que a Selic passará a referenciar todas as taxas de juros.
A mudança atende a pedido da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que temia que com a redução da Selic fundos de investimento passassem a ser menos interessante para os investidores que a poupança. Hoje esses fundos pagam cerca de 95% da Selic, ou 12,35% ao ano. Descontado o Imposto de Renda e a taxa de administração, entretanto, boa parte desses fundos já começa a ser menos rentável que a poupança, que hoje paga 8% líquido ao ano.
Por esse motivo, alguns bancos, principalmente aqueles que cobram taxas de administração entre 2,5% a 6% ao ano, têm sido obrigados a baixar esses valores e perder lucratividade para não afugentar clientes.
Além disso, a possível migração de fundos para a poupança não é interessante para os bancos porque 65% dos recursos depositados na caderneta devem ser obrigatoriamente direcionados para empréstimos para a compra de imóveis -que cobram juros menores que outras modalidades. ''A medida não foi tomada antes porque a TR não incomodava os bancos. Quando passou a incomodar os bancos reclamaram e o governo cedeu'', disse Oliveira.
''Mas a medida é boa, não vejo nenhum tipo de fuga de recursos da poupança mesmo que a Selic chegue a 11% e também acho que ainda há um bom espaço para os bancos reduzirem suas taxas de administração até que a Selic caia abaixo de 12%.''

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