Governo reduz para 28,10% parte da dívida pública dolarizada
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Renato Andradee Adriana Fernandes<br>Agência Estado 
Brasília - O governo conseguiu reduzir para 28,10%, em agosto, a parcela da dívida pública, em títulos, com correção atrelada à variação cambial. Esse é o menor nível registrado pelo Tesouro Nacional desde setembro de 2002, quando os débitos federais atrelados ao dólar bateram no teto de 40,67% do estoque. A dívida, como um todo, porém, fechou o mês passado em R$ 695,95 bilhões, uma alta de 0,9% em relação à julho, quando ela fechou em R$ 689,99 bilhões.
Para o chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, Sérgio Goldenstein, a redução da dívida cambial deve continuar. A expectativa é de que esses débitos fechem setembro correspondendo a 27% do estoque da dívida. ''É provável que essa exposição continue caindo por causa dos resgates (de instrumentos cambiais) e pela valorização do real'', argumentou Goldenstein. A estratégia definida pelo BC é diminuir, gradativamente, a participação desses débitos no estoque da dívida federal.
O mecanismo utilizado pelo BC para redução dessa dívida é a renovação parcial dos débitos. Em setembro, por exemplo, o governo renovou apenas 49,8% das dívidas cambiais previstas para o mês. No consolidado do ano, o Banco Central só renovou 85% dos débitos cambiais que venceram entre janeiro e setembro.
Juros - O aumento de R$ 5,96 bilhões no estoque da dívida em agosto foi puxado pela correção dos juros que incidem sobre os débitos do governo, o que fez com que a dívida praticamente alcançasse os R$ 700 bilhões. Essa variação acabou sendo maior do que a soma de todos os demais elementos que contribuíram para a contenção da dívida, como a queda da taxa Selic de 24,5% ao ano para 22% no mês e o cancelamento de R$ 4,067 bilhões em títulos que estavam no mercado.
Esse resgate de R$ 4,067 bilhões foi puxado pela decisão do Tesouro de não realizar leilões na primeira semana do mês, quando a reforma da Previdência foi votada na Câmara dos Deputados. ''No primeiro semestre todo tivemos emissões líquidas. Com a perspectiva de votação da reforma na primeira semana de agosto, e com um caixa recomposto, decidimos não realizar o leilão o que gerou o resgate líquido'', explicou o coordenador geral de Administração da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle. O trabalho de melhora do perfil da dívida continua em setembro, mas o mês deverá fechar com uma pequena emissão líquida, segundo revelou Valle.
De acordo com o coordenador, cada 1 ponto porcentual de redução da Selic corresponde a uma economia de R$ 3,5 bilhões no endividamento num período de 12 meses. Com isso, por esse cálculo, a redução dos juros no mês passado representaria uma economia de cerca R$ 8,75 bilhões em um ano.


