Governo reduz juros para equipamentos
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terça-feira, 07 de julho de 1998
Agência Estado 
O governo deverá reduzir de 14,5% ao ano para 10% ao ano os juros dos financiamentos do BNDES para a compra de máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras, com prazo de até cinco anos. A informação foi dada ontem pelo ministro Francisco Turra, após ter conversado com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. O voto propondo a redução será analisado na quinta-feira pelo grupo de coordenação de Política Agrícola e depois encaminhado ao Conselho Monetário Nacional (CMN) para apreciação na reunião do final deste mês.
Francisco Turra explicou que a redução dos juros é mais uma tentativa de o governo cumprir a determinação de modernizar a agricultura brasileira. No ano passado, o CMN aprovou uma linha de financiamento de R$ 200 milhões para a compra de máquinas agrícolas com juros fixos de 14,5% ao ano e até cinco anos para pagamento. Mesmo assim, não houve interesse dos fazendeiros, que consideraram os juros altos e, segundo o ministro, o volume de recursos emprestados nesta linha não atingiu nem 20% do total.
Com a redução, o governo espera estimular as vendas do setor enquanto não encontra a fórmula adequada para concretizar a proposta de renovação do parque nacional, com a redução de até 20% no preço final de tratores e colheitadeiras novos trocados por máquinas com mais de 18 anos de uso. Turra lembra que a idade média elevada dos 450 mil tratores e 48 mil colheitadeiras em uso no País acarreta perdas à produção, estimadas em até 20% da safra.
Segundo o ministro, a proposta para a renovação do parque, que prevê desoneração de alguns impostos e desconto de 5% pelas montadoras, está esbarrando em problemas legais, já que o Congresso está em recesso e o governo não poderia encaminhar agora uma medida provisória tratando da questão.
ArmazénsO ministro Turra também anunciou que o governo estuda a criação de uma linha de financiamento de R$ 100 milhões do BNDES para a construção e modernização de armazéns, também com juros fixos de 10% ao ano, dois anos de carência e até sete anos para pagamento. A Conab fez um levantamento da situação dos armazéns em todo o País e concluiu que apenas 15 milhões de toneladas de grãos podem ser armazenadas em silos considerados ideais. E apenas um terço dessa capacidade está em armazéns credenciados pela Conab. Turra explicou que um modelo ideal de armazenamento de grãos, como o do Canadá, por exemplo, deve abrigar o dobro da safra do país. No caso brasileiro, apesar de a safra ser estimada em torno de 80 milhões de toneladas, todo o sistema nacional de armazenagem tem capacidade para 92 milhões de toneladas.


