Governo reduz juro básico para 21%
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quarta-feira, 24 de junho de 1998
Agência Folha 
O Banco Central promoveu ontem uma pequena redução nas taxas básicas de juros, aproximando-as dos níveis anteriores a crise asiática. A TBC (Taxa Básica do BC) foi reduzida de 21,75% para 21% anuais, e a Tban (Taxa de Assistência do BC) caiu de 29,75% para 28% ao ano.
Antes da crise, a TBC estava em 20,70% anuais. Ela foi elevada para 43,41% no final de outubro último para evitar a fuga de recursos estrangeiros do País. Será a sétima queda dos juros desde dezembro do ano passado. A queda deve continuar em julho, mas num percentual menor. A queda ficou dentro das expectativas de mercado.
As novas taxas passam a vigorar a partir de hoje e valem, pelo menos, até 29 de julho, quando ocorre a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão que reúne o presidente, diretores e chefes de departamento do BC.
Embora os juros básicos tenham sido reduzidos, a medida não irá diminuir os juros cobrados pelos bancos e financeiras nas operações de crédito direto ao consumidor porque a inadimplência ainda continua elevada. Sua queda, porém, mostra ao mercado em que direção o governo está caminhando. A inadimplência no comércio paulista, em maio, tirando os efeitos sazonais, ficou em 9,84%, segundo o analista de risco de mercado do Banco Pontual, Manlio Arena. Em janeiro, esse índice era de 10,6%.
Dois motivos básicos contribuíram para a queda dos juros básicos. Primeiro, a manutenção das reservas internacionais brasileiras acima de US$ 70 bilhões. O outro motivo é o alto custo dos juros elevados sobre a dívida mobiliária (em títulos públicos) do governo federal. A Agência Folha apurou que o governo considera haver espaço para novas reduções dos juros básicos, mesmo que isso reduza o ganho do investidor estrangeiro que aplica dinheiro no Brasil. Na avaliação do governo, a principal preocupação desses investidores é o potencial do mercado brasileiro.
Isto é, os estrangeiros que fazem investimentos diretos no Brasil consideram mais importante o lucro que poderá ser obtido no longo prazo. Com base nesse argumento, o governo avalia que há espaço para reduzir os juros sem alterar a política cambial ou reduzir a tributação sobre renda fixa.
O diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, acredita que as reservas internacionais vão fechar o ano entre US$ 66 bilhões e US$ 70 bilhões, na pior das hipóteses. Ou seja, se não for concluída a privatização das teles e saíam todos os recursos que ingressaram por meio da resolução 63 caipira (empréstimos feitos no exterior para financiar teoricamente a agricultura e que foram aplicados em títulos com variação cambial).
A Agência Folha apurou que a entrada por meio da 63 nos meses de fevereiro, março e abril chegou a US$ 8 bilhões. Segundo do analista do Pontual, 50% desses recursos podem deixar o País a partir de agosto quando começam a vencer essas operações.


