Governo reduz interferência no mercado
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terça-feira, 09 de março de 1999
Vânia Casado 
O governo federal vai reduzir sua participação na comercialização da safra 98/99, mas deverá continuar interferindo para evitar a queda de preços na entrada da safra de produtos ameaçados como o arroz, milho e talvez um pouco da safra de algodão produzida na região Centro-Oeste do País. Para isso o governo já reservou R$ 600 milhões para Aquisição do Governo Federal (AGF) do arroz e milho e mais R$ 225 milhões que serão aplicados em mecanismos como o Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e equalização para manutenção da taxa de juros em 8,75% para o crédito rural até 31 de junho de 1999.
Mas o orçamento deste ano continua sem recursos para Empréstimos do Governo Federal(EGF). Esse mecanismo deverá ser substituído por outros que serão ativados pelo próprio mercado, afirmou, ontem, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo. Ele e o diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, estiveram em Curitiba participando de uma teleconfência sobre a comercialização da safra promovida pela Federação da Agricultura (Faep) e Sebrae.
Benedito antecipou que o governo pretende comprar 1,5 milhão de toneladas de arroz e 1 milhão de t de milho para recompor os estoques reguladores do governo que estão a zero. Ele acredita que essa medida deve evitar a queda de preços na entrada da safra. Mas se precisar, não descartou a possibilidade de o governo fazer o EGF/SOV (sem opção de venda) para a indústria, principalmente para o algodão.
Para a comercialização da safra, Benedito afirmou que a extinção do EGF, pelo segundo ano consecutivo, será substituído pelo custeio parcelado, pelos contratos de opções e Cédula do Produto Rural (CPR). O custeio parcelado é uma novidade que está estreando este ano, que permite o pagamento em cinco vezes com um período de carência de 60 dias para o vencimento da primeira parcela a partir do início da safra. Até o ano passado, os financiamentos de custeio deviam ser quitados de uma vez, após 30 dias à entrada da safra.
Essa regra criava uma pressão sobre o mercado, responsável pela queda acentuada de preços, porque os produtores precisavam converter a produção em dinheiro para pagar o banco. Agora, o pagamento é parcelado de junho a outubro. Para os demais produtos como a maior parte da safra de algodão, trigo, milho e arroz, a projeção feita pelo governo é que o mercado está comprador e não será necessária a sua interferência para sustentar preços.


