Governo recebe dinheiro até dia 19
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Agência Estado 
Dida SampaioRelatoO ministro Kandir transmitiu ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ontem, os detalhes da venda da ValeBRASÍLIA - Os R$ 3,338 bilhões referentes à venda da Vale do Rio Doce deverão ingressar nos cofres do governo até o próximo dia 19, segundo informaram ontem assessores do Ministério do Planejamento. Eles explicaram que as regras do edital prevêem a liquidação financeira da compra no terceiro dia útil após o leilão. Porém, já estava prevista a concessão de alguns dias a mais para o consórcio vencedor quitar o negócio. Ontem à tarde, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, compareceu ao Palácio do Planalto para fazer um relato da venda da Vale ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo esses assessores, o prazo seria maior se o leilão de privatização não tivessse sido adiado em função da batalha judicial da última semana. No Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não se fala na hipótese de o negócio não ser liquidado em função das contestações judiciais da privatização ainda pendentes. As notícias que temos é de que as liminares estão sendo todas derrubadas, comentou ontem um assessor.
Metade do dinheiro obtido na privatização irá para a Secretaria do Tesouro Nacional, que utilizará os recursos para resgatar títulos da dívida pública na data de seu vencimento. A lógica diz que serão liquidados primeiros aqueles títulos com juros mais altos e prazos mais curtos, comentou um assessor.
A outra metade dos recursos irá para o Fundo de Reestruturação Econômica (FRE), a ser administrado pelo BNDES. A idéia é utilizar o dinheiro em setores estratégicos para o governo: infra-estrutura, financiamento às exportações e o fortalecimento de setores produtores de bens que hoje forçam ao aumento nas importações, como equipamentos de telefonia e eletroeletrônicos.
Na entrevista que concedeu logo após a venda da Vale, o ministro Antônio Kandir não detalhou o uso dos recursos do FRE. Segundo assessores, ainda não estão concluídos os estudos sobre quais setores serão incentivados.
A lógica, porém, é emprestar unicamente para o setor privado. Assim, na contabilidade oficial, esse dinheiro passaria a representar um crédito do governo junto ao setor privado. Dessa forma, os financiamentos do FRE representariam uma redução da dívida líquida do setor público.
A estimativa é que, depois de concluída a venda da Vale, com a oferta de ações aos empregados e ao público em geral, o FRE tenha um total de R$ 3 bilhões. Desse total, em torno de R$ 1 bilhão será utilizado para incentivar as exportações brasileiras.
Os recursos seriam utilizados para cobrir riscos comerciais nas exportações de equipamentos financiados a longo prazo. Também serviriam para oferecer aos exportadores garantias contra riscos políticos. Seria uma garantia adicional para, por exemplo, realizar obras em países sujeitos a conturbações políticas.
Cerca de R$ 600 milhões seriam emprestados, a juros subsidiados, para financiar obras de infra-estrutura, como estradas, ferrovias e portos. O prejuízo do FRE com esses projetos seria compensado com outras categorias de financiamento, onde os juros são mais altos.


