O governo do Estado pretende vender a Copel em um bloco único que englobará as recém-criadas empresas de transmissão, geração, distribuição e telecomunicações. Na avaliação dos secretários Ingo Hubert (Fazenda) e Cid Campêlo Filho (Governo), dessa maneira será possível conseguir melhor preço no leilão. ‘‘Vendendo unicamente conseguiremos agregar mais valor’’, afirmou, ontem, o secretário de Governo. O governo trabalha com a hipótese de leiloar a empresa em meados de outubro.
A preferência pela venda unificada das empresas que formam a Copel não agrada a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Aneel quer evitar que haja uma concentração de mercado na mão de um mesmo grupo privado. Para a agência que fiscaliza o setor, é mais conveniente que os setores de distribuição e geração, por exemplo, fiquem com empresas diferentes. A Aneel, no entanto, não tem poder de interferir na privatização do setor elétrico dos estados.
A venda em bloco único é defendida no mercado financeiro por alguns analistas. Um relatório divulgado recentemente pelo Banco Santander apóia a venda para um mesmo grupo. ‘‘A nossa opinião é de que a empresa pode continuar como integrada, controlando ativos de geração, transmissão e distribuição. Mantendo essa situação, a Copel é atualmente o melhor ativo de energia a ser vendido no País e, nos preços atuais, a melhor oportunidade de investimento no setor elétrico’’, diz o parecer assinado por Eduardo de La Peña e Marcio Lewensztajn. A mesma análise coloca como ponto negativo a privatização em três ativos separados. ‘‘Isso pode diminuir a atração pela ação’’, diz o documento.
O cronograma da privatização dependerá do trabalho dos ‘advisers’ (empresas que farão a modelagem e avaliarão a Copel). Mas tão logo esteja concluído o relatório delas, o governo colocará a estatal a venda. Conforme edital, as duas empresas serão escolhidas no dia 1º de março e o contrato será fechado, no máximo, no início de abril. Começará então o prazo de três meses para a modelagem da privatização e de quatro meses para definir o preço mínimo.
O governo sabe que, na teoria, poderá vender a Copel até outubro, mas na prática poderá haver ações judiciais e liminares que atrapalhem o processo. ‘‘A privatização está autorizada desde 1998 e ainda não conseguimos vendê-la por uma série de questões’’, afirmou ontem o secretário de governo.
Segundo Cid Campêlo, a última tentativa havia sido há cerca de um ano quando o governador Jaime Lerner autorizou abertura de licitação para contratar as advisers. O secretário disse que o processo não seguiu adiante por causa da Eletrobrás. A Eletrobrás propôs, na época, comprar ações da Copel e assumir o andamento da privatização. O Ministério da Fazenda, no entanto, bloqueou a operação.

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