O governo deverá propor aos trabalhadores novas regras para o saque da correção monetária que será creditada nas contas vinculadas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por conta do expurgo praticado na época dos planos Verão e Collor, disse, ontem, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Na contraproposta que apresentará às centrais sindicais até a segunda quinzena de janeiro, Dornelles tem como certo que será necessário estabelecer um período de carência para o início dos pagamentos e um prazo máximo para que todos recebam o que têm direito.
O ministro acredita que o prazo máximo ideal será entre cinco a seis anos. Segundo ele, para estabelecer um cronograma será necessário saber com certeza quanto o FGTS poderá disponibilizar, por ano. Dornelles adiantou que concorda com as centrais sindicais de que o saque deverá privilegiar os trabalhadores de baixa renda, os desempregados e os aposentados. Outro ponto que o ministro considera importante é que a adesão à forma parcelada de pagamento seja voluntária.
Para propor uma forma de pagamento parcelado o governo vai, praticamente, criar um segundo FGTS, com o crédito do expurgo, correspondente a 68,9% do saldo existente em janeiro de 1989 e abril de 1990, data dos planos econômicos.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, as duas maiores centrais sindicais do País, não vão aceitar que os trabalhadores só recebam em cinco ou seis anos os valores referentes aos expurgos do FGTS. O presidente da CUT, João Felício, disse ontem que aceita no máximo um prazo de três anos, conforme proposta feita ao governo pela central. Já o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, sequer admite os três anos. ‘‘Achamos que o governo tem condições de resolver tudo no próximo ano’’, disse.

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