O Ministério da Agricultura está disposto a fomentar a produção de trigo para reduzir a dependência do país do produto importado. Para isso, solicitou aos setores representantes da cadeia produtiva do trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul o encaminhamento de propostas que viabilizem o crescimento da produção.
O objetivo é promover o avanço da produção dos atuais 23% em relação ao consumo para 50% do consumo no período de cinco anos. O consumo no país é de 8,5 milhões de t e o país está importando 6 milhões de t este ano.
No curto prazo, o objetivo é aumentar em 500 mil toneladas a produção da próxima safra de trigo, totalizando três milhões de toneladas. Para pensar a política que deve ser adotada para manter a continuidade da lavoura de trigo no Brasil, estiveram reunidos, ontem, na Ocepar, os representantes dos produtores do Paraná e Rio Grande do Sul, da indústria moageira, dos sistemas cooperativistas e dos produtores dos dois estados.
Custeio O chefe geral da Embrapa-trigo de Passo Fundo, Benami Bacaltchuka, antecipou algumas propostas que serão encaminhadas para avaliação do ministro da Agricultura, Francisco Turra.
Para elevar a produção da safra 1999, a comissão reunida deverá solicitar recursos para custeio da ordem de R$ 300 milhões, enquanto este ano o governo federal destinou menos de R$ 200 milhões de custeio para o trigo.
Para garantir rentabilidade ao produtor, será reivindicado o reajuste do preço mínimo dos atuais R$ 157 a tonelada para o trigo superior para R$ 175 a tonelada.
Outra forma de estimular o produtor a elevar a produção é garantir a comercialização do produto, disse Bacaltchuka. Para isso o governo federal deverá destinar recursos para os instrumentos de AGF (Aquisição do Governo Federal) e EGF (Empréstimos do Governo Federal), além de reforçar o PEP.
Na avaliação do técnico, mesmo que a produção se eleve para três milhões de toneladas, o governo não vai precisar reservar mais de R$ 50 milhões para os leilões.
Salvaguardas Bacaltchuka disse ainda que os setores da cadeia produtiva do trigo deverão insistir com a necessidade de adoção de medidas salvaguardas para a produção de trigo.
O trigo americano está entrando no país com um subsídio de US$ 40 a t e na França, de US$ 50 a t. ‘‘Até o trigo argentino é subsidiado na medida que o produtor recebe de volta o imposto pago na exportação’’, complementou.
A preocupação do setor moageiro é com o aumento da importação de farinha. Só este ano entraram 600 t de farinha da Argentina que já é responsável pelo abastecimento de 8% do mercado nacional, disse Bacaltchuka. Segundo ele, em Curitiba 5% da farinha consumida é de origem argentina.
Se não forem adotadas medidas salvaguardas também para a importação de farinha, Bacaltchuka prevê que das 250 indústrias moageiras existentes no país, deverão sobreviver somente 20%. Isso porque 80% das empresas estão descapitalizadas.

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