Curitiba - Mesmo com a confirmação do foco de aftosa no Paraná, o governo do Estado não admite a existência da doença e quer mobilização de todos os setores produtivos e políticos paranaenses para a decisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) seja revertida. Na terça-feira, o Mapa confirmou um foco de febre aftosa na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 quilômetros ao Sul de Cornélio Procópio). A fazenda teria recebido cerca de 200 bovinos de áreas infectadas no Mato Grosso do Sul (MS). Exames feitos no Laboratório Nacional de Agropecuária (Lanagro) do Rio Grande do Sul (RS) foram suficientes para embasar a decisão ministerial.
Os laudos demonstraram que achados clínicos (alteração laboratorial) e a origem epidemiológica (vieram da região contaminada com aftosa) seriam suficientes para a confirmação da doença mesmo que não tenha ocorrido o isolamento do vírus. ''A sorologia por si só não pode dizer que o animal tenha aftosa. Estão aliando a sorologia com a origem do animal para estabelecer a circulação do vírus no nosso meio. Mas nenhum dos exames possibilitou o isolamento do vírus. Há a necessidade de prosseguirmos na investigação laboratorial'', disse o vice-governador e secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, na reunião de ontem do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa).
Pessuti lembrou que foram enviadas 988 amostras para exame laboratorial, sendo que 965 delas eram sorológicas. Nenhuma delas conseguiu o isolamento do vírus. ''É precipitada a decisão do Ministério da Agricultura de anunciar o foco. Temos hoje exatamente os mesmos elementos que tínhamos no dia 21 de outubro, quando anunciamos a suspeita de foco. Continuamos com a suspeita, não estamos com o foco comprovado. Vamos continuar lutando para que o reconhecimento do foco seja revogado pelo ministério'', argumentou o secretário.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, acredita que os técnicos do Mapa não tiveram consideração com o Estado. Em nenhum momento, as propriedades suspeitas teriam sido visitadas pela equipe de Brasília. Ele apresentou um relatório de visitas feita por técnicos federais do Paraná na Fazenda Cachoeira e que comprova que nenhum tipo de sintomatologia foi encontrado nos 2,2 mil bovinos da propriedade interditada. Diz o relatório que ''a inspeção visual do lote não observou nenhum sintoma de doença vesicular''. Neme argumenta que este é o momento do setor produtivo se unir para exigir do governo federal respeito.
''Não podemos admitir que temos o que não temos, custe o que custar. Se tivéssemos aftosa, estaríamos resolvendo os problemas sanitários do Paraná. Tenho um sentimento profundo de frustração diante da situação que estão nos pondo perante o Brasil e o Mundo, mesmo com todo o trabalho que está sendo feito aqui. Nós é que estamos tomando vacina de febre aftosa, até porque estamos babando de raiva por conta da situação que estamos passando'', ironizou.
Procuradoria - O procurador do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, disse ontem que aguarda documentação da Seab para decidir se tomará medidas judiciais contra o Mapa a respeito da confirmação do foco de febre aftosa no Paraná. ''Estou esperando esclarecimentos. Virão provavelmente laudos, um relatório. Depois disso vou analisar o que pode ser feito'', disse o procurador.
O deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR) apresentou ontem proposta para que a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal investigue a confirmação de febre aftosa no Paraná. O deputado comentou que cogita iniciar mobilização para que seja criada CPI sobre o assunto.

mockup