Governo quer reservas entre US$ 45 bi e 50 bi, diz Barros
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domingo, 04 de outubro de 1998
Arquivo FolhaAgência Estado 
O ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse hoje que o governo quer manter as reservas internacionais ao nível entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. Segundo ele, a contribuição de sua área é antecipar o pagamento de recursos das telecomunicações.
O governo tem como prioridade equilibrar as despesas com as receitas, disse Barros, acrescentando que a concessão de empresas-espelho deverá produzir uma arrecadação da ordem de US$ 4 bilhões. As empresas-espelho - que concorrerão com as privatizadas - terão concessão a partir de dezembro. O governo conseguiu, na semana passada, uma antecipação de pagamento de US$ 3,885 bilhões, de uma dívida de US$ 5,464 bilhões, por parte das empresas telefônicas Portugal Telecom e Iberdrola, relativo à compra da Telesp.
Barros não quis dizer quais as outras empresas realizarão antecipação de pagamento, argumentando que o segredo é a alma do negócio. Segundo ele, o BNDES é que está negociando com as outras empresas controladoras de companhias de telecomunicações privatizadas.
As medidas econômicas a serem anunciadas pelo governo terão discussão política com o atual Congresso, garantiu Barros. Não haverá ruptura ou pacotaço. Ele fez essas declarações pouco antes de votar na 92ª seção do Liceu Eduardo Prado, na zona sul de São Paulo.
Segundo o ministro, as medidas terão como objetivo equacionar o déficit público. As negociações com o Congresso devem ser facilitadas pela crise internacional, disse. O Brasil sempre andou em épocas mais difíceis. Só quando o colesterol bate os 400 é que o cara faz um regime, ironizou.
Segundo Barros, o ideal seria fazer o ajuste do setor público em um momento sem crise, mas há um consenso de que o governo não pode mais continuar gastando mais do que arrecada.
O governo dividiu as tarefas para o anúncio das próximas medidas econômicas. Segundo Barros, a sua função é conseguir apresentar ativos que possam gerar a antecipadção de entrada de recursos externos. Ele não quis comentar as declarações do diretor do Banco Central, Franciso Lopes, ontem na imprensa paulista, de que as novas medidas farão com que haja uma arrecadação adicional de R$ 10 bilhões em impostos.
O ministro disse ainda que há um consenso sobre a crise internacional e a necessidade de uma queda geral nas taxas de juros. Segundo ele, o que está ocorrendo hoje é uma crise bancária mundial, e não só do Japão, da Indonésia ou da Rússia.


