Brasília - Qualquer que seja a solução para administrar o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proteger os pequenos poupadores e, ao mesmo tempo, ancorar as aplicações financeiras sem desorganizar o perfil dos investidores há, ainda, o desafio da comunicação: adotar uma regra de fácil compreensão pela população.
As recentes campanhas do oposicionista PPS, partido alinhado com o PSDB e o DEM, acusando o governo de armar um confisco à poupança do trabalhador adicionaram estresse político ao processo.
O governo ficou furioso com a publicidade dada à versão do confisco, que já foi adotado no País pelo ex-presidente Fernando Collor, em 1990. Apesar de dizer que a campanha do PPS ''não vai colar'', o governo está monitorando o impacto da veiculação da mensagem e agindo preventivamente.
O próprio Lula classificou a atitude do PPS de ''insana, mentirosa e irresponsabilidade total'', enquanto seu ministro do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, chamou a iniciativa da oposição de ato ''mau caráter''.
O timing para a adoção das novas regras da caderneta é outra questão considerada. Pelos cálculos da equipe econômica, com a Selic em 10,25% , o problema da migração para a caderneta ainda é contornável. A pressão será maior com uma Selic de 9,5% ao ano. Em princípio, os técnicos consideram que teriam até o início de junho, quando ocorrerá outra reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), para decidir possivelmente um novo corte da Selic. Apesar disso, há os que defendam uma decisão antes desse prazo e o mais rápido possível.
Há ainda outro problema: para retirar o piso de 6% da poupança é preciso que a medida seja aprovada pelo Congresso. Por isso, apesar de teoricamente ter ainda algum tempo antes de as aplicações em Selic ficarem inviáveis, o governo inclui na conta o prazo de discussão no Parlamento, que pode significar uma longa exposição da proposta às críticas da oposição. Nesse caso só há uma saída, que não está descartada: simplesmente resolver a questão com mais uma nova rodada de mudança na regra para definição da Taxa Referencial (TR), que complementa a rentabilidade da poupança.
A ideia seria reduzir ainda mais o ganho gerado pela TR, o que também já foi feito no passado, alongando o prazo de redução da queda da Selic, enquanto a classe política decide exatamente o que fazer.

mockup