RIO - O preço da farinha de trigo no mercado interno é muito alto, na avaliação do governo federal. Apesar de a cotação da saca de 50 quilos ter baixado mais de 30% desde janeiro, passando de cerca de R$ 30 para R$ 20, o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT) acredita que o valor poderia chegar a R$ 15, redução que poderia ser repassada aos produtos de consumo final, como o pão.
A diminuição de preço da farinha foi defendida ontem no 4º Seminário Internacional do Trigo, no Rio de Janeiro, pelo secretário de Produtos de Base do Ministério, Maurício Assis. Citando a queda contínua do preço do trigo no mercado internacional, Assis considerou que a indústria de moagem nacional não tem acompanhado a tendência na mesma proporção. E mesmo a redução que já incidiu na saca de farinha não atingiu, até agora, o consumidor final, com repasse para os produtos.
‘‘Os panificadores cometem o erro de atribuir o preço do pão à farinha de trigo mas, na verdade, ela responde por apenas 25% do custo do produto e dificilmente uma redução assim poderá ser repassada ao preço final’’, rebateu o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Antenor Barros Leal. Ele considerou a proposta do secretário como ‘‘uma brincadeira’’ e sugeriu que a tonelada de trigo exportada pela Argentina poderia passar também dos atuais US$ 150 (preço médio) para US$ 50.
Pelos números de Leal, a saca baixou de R$ 34 para R$ 25 e não deve se afastar deste patamar. O encontro, que será encerrado hoje, reúne 400 empresários do setor de seis países. O secretário Assis previu que, em 1997, 70% do consumo de trigo Brasil continuarão sendo supridos com grãos importados, especialmente da Argentina. O governo argentino espera colher nesta safra de trigo 14,9 milhões de toneladas e conta com dividendos de U$ 1,4 bilhão com a exportação para o mercado brasileiro.
O ministro argentino da Agricultura, Felipe Solá, arriscou um prognóstico de venda de 6 milhões de toneladas para o Brasil, contra os 4,2 milhões de toneladas da última safra (quase 100% do total exportado na Argentina, de 4,5 milhões), que renderam US$ 770 milhões à Argentina. A diferença, segundo ele, é que o preço médio da tonelada de trigo argentino, no ano passado, foi de US$ 170, enquanto este ano caiu para US$ 140,00.

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