Governo quer produção maior
Governo quer produção maior Arquivo FolhaPinheiro Neto, da Anfavea: exigência do governo é surpresa Agência Folha O governo federal está mais sensível ao pleito da indústria automotiva para que seja implementado um programa de renovação de frota no país, mas exige mais do setor para dar o pontapé inicial. Hélio Mattar, secretário de Política Industrial do Ministério de Desenvolvimento, disse ontem que o governo considera baixo o volume de mercado previsto para este ano pelas montadoras. A Anfavea, representante da indústria, apresentou como projeção de mercado (sem renovação) 1,19 milhão de unidades de automóveis e comerciais leves. O governo, com dados do Ipea, fala em 1,35 milhão a 1,4 milhão. É uma proposta baixa (a projeção da Anfavea) num ano em que as estimativas são de crescimento da economia , disse o secretário ontem, durante seminário sobre o tema em São Paulo. O volume de mercado mínimo é importante na definição da proposta porque é a partir dele que o bônus para estimular a troca de carros acima de 15 anos por outros mais novos passará a valer. Essa foi a fórmula encontrada pela indústria para convencer o governo de que a adoção do programa não acarretará perda de arrecadação, preocupação maior da equipe econômica. José Carlos Pinheiro Neto, presidente da entidade, disse que a exigência do governo é uma surpresa , mas que os números serão estudados. Um mercado de 1,190 milhão de unidades eu tenho como justificar. Acima disso, eu tenho dificuldades. O nível de exigências com relação à Anfavea tem sido crescente. Além dos dados sobre mercado, a equipe do Ministério do Desenvolvimento estuda outros detalhes antes de concluir a proposta, no caso de o governo decidir por uma resposta positiva. Segundo Mattar, o governo está preocupado em evitar que o programa crie uma bolha de consumo num primeiro momento que poderia ser revertida em seguida. Por causa disso, deve estabelecer um nível máximo de veículos por ano que poderão ser submetidos ao benefício. A Anfavea estima incremento de vendas de 142 mil unidades com a renovação. Deve ser definido também o que os negociadores chamam de circularidade do bônus por quantas mãos poderá passar antes de ser trocado por um carro zero quilômetro e o tempo de validade dele. A proposta em discussão prevê a participação do governo federal com R$ 700 (isenção no IPI), dos Estados com R$ 500 (isenção no ICMS) e de montadoras e concessionárias com R$ 600. Os valores comporiam um bônus de R$ 1.800 na compra de veículos.





