Governo quer privatizar todos os portos até junho do ano que vem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaEnxugamentoCompanhias docas vão reduzir número de empregados de 9,4 mil para 2,9 mil até o final de 98O Ministério dos Transportes e as oito Companhias Docas definiram ontem o cronograma de privatização e arrendamento dos portos brasileiros. A meta do governo é privatizar toda a operação portuária até junho de 1998 e arrendar todos os terminais existentes até setembro do ano que vem. Além do cronograma, queríamos ter também um raio X do setor, explicou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, após a reunião com os presidentes das empresas.
A data limite para conclusão desse processo é nosso ponto de honra, afirmou Padilha. Foi anunciado ontem também que o edital para leilão do Terminal de Contêiner de Santos, o maior do País, só será publicado na próxima semana, na terça ou quarta-feiras. A previsão inicial era que ele fosse publicado hoje. Estamos trabalhando com muita cautela no texto do edital, que é o primeiro do gênero, afirmou Luis Baldez, assessor do ministro. Ontem o texto final foi aprovado pelos técnicos dos ministérios do Planejamento e dos Transportes e só hoje será enviado para publicação.
Carga Segundo o ministro Padilha, mais da metade da movimentação de carga dos portos brasileiros já é feita pela iniciativa privada. Dados apresentados ontem mostram que no primeiro semestre deste ano as empresas foram responsáveis por 52% da carga (25,1 milhões de toneladas) contra 48% (23 milhões de toneladas) feitas nos terminais públicos.
As projeções acertadas ontem apontam ainda que as companhias docas irão reduzir em 6,5 mil o número de empregados, que passarão de 9.473 para 2.983 até o final do ano que vem. Só a Codesp reduzirá seu efetivo de 5.242 para 1.000 funcionários. Parte dos demitidos deverão ser incorporados pelos Orgãos Gestores de Mão de Obra (OGMO). Com o aumento do movimento de cargas nos portos, não haverá redução de empregos, diz Padilha.
O governo quer reduzir o custo de movimentação de contêiner no País de US$ 500 para US$ 150 em 24 meses. Com a entrada da iniciativa privada, o governo deixará de ter que investir no setor R$ 1,25 bilhão até o ano que vem.


