Governo quer popularizar uso do software livre
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal quer investir na popularização do software livre para democratizar o acesso da população à informação. A declaração é do ministro das Cidades, Olívio Dutra, que participou ontem da abertura dos trabalhos da Conferência Internacional Software Livre Brasil, evento que está sendo realizado em Curitiba e termina amanhã. A conferência foi organizada por várias entidades e empresas ligadas ao software livre, e, curiosamente, pela Microsoft, líder mundial na venda de softwares que necessitam da compra da licença para serem utilizado pelos usuários.
Dutra afirmou que embora a intenção do governo federal seja utilizar cada vez mais o software livre, o processo de transição dos programas que necessitam de licença para serem utilizados para os que têm seu código de programação aberto aos usuários deve levar tempo. ''O governo está atento para a democratização da cidadania digital, e a economia que pode ser feita com a transição para o software livre. Mas essa fase de transição inicial levará tempo, e também irá demandar custos para ser implementada'', ressaltou o ministro.
Já o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação órgão ligado ao governo federal , Sérgio Amadeo da Silveira, preferiu fazer uma defesa mais apaixonada do software livre. ''O mundo caminha para o software livre. O Brasil gasta por ano US$ 1 bilhão somente com o pagamento de licenças para uso de programas, o que significa que estamos cada vez ficando mais reféns de outros países na área de informática. Com a adesão do governo e das grandes empresas ao software livre, a tendência é que as pequenas empresas e os usuários domésticos também mudem sua plataforma de operação'', destacou Silveira.
O secretário estadual de Assuntos Estratégicos, Nizam Pereira, afirmou que o governo do Paraná pretende implantar o software livre em toda a administração pública. ''Todas as companhias públicas já usam em algum setor o software livre, e as secretarias estão começando a transição para esse modelo. É uma opção política e econômica do governo, que entende que o incentivo ao software livre também irá ajudar a desenvolver as empresas de informática regionais'', afirmou.
Até amanhã, 48 painéis e palestras serão realizados na conferência. Mas sem dúvida, três palestras chamam a atenção pelo inusitado: elas serão oferecidas pela Microsoft, principal alvo das críticas dos usuários do software livre e da fúria dos hackers, que a acusam de tentar monopolizar o mercado de software.
Para o gerente de estratégia de mercado da Microsoft, Eduardo Campos de Oliveira, a presença da gigante da informática no evento deve ser considerada normal. ''Não viemos para brigar. Respeitamos a liberdade dos clientes em escolher a plataforma que desejarem. O próprio Windows tem programas que vão ao encontro de necessidades técnicas de quem opera com software livre. Existem programas da Microsoft que têm seu código de programação compartilhado, ou seja, o usuário pode alterar parte do código conforme desejar'', lembrou Oliveira.


