Governo quer plano para reduzir dívida pública
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segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Renata Veríssimo<br>Agência Estado 
Brasília O governo quer elaborar um plano de longo prazo para reduzir a dívida pública, hoje na casa dos 51% do Produto Interno Bruto (PIB), para algo em torno de 35% do PIB. ''Temos de definir um perfil de evolução da dívida pública nos próximos dez anos'', defendeu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista à Agência Estado. ''Se fizermos um bom programa, acho que poderíamos traçar uma trajetória para termos uma dívida de 30% ou 35% do PIB nos próximos cinco ou seis anos. Aí teríamos uma mudança de qualidade efetiva.''
Bernardo discutiu esse tema com seus colegas da Fazenda, Antonio Palocci, e da Casa Civil, Dilma Rousseff. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também foi convidado para participar do debate.
Na busca de uma fórmula para alcançar esse objetivo, Bernardo marcou para o dia 18 uma conversa com o ex-ministro da Fazenda e deputado Delfim Netto (PMDB-SP). Ele é autor de um programa que propunha justamente baixar o estoque da dívida como proporção do PIB, por duas vias: um forte enxugamento nos gastos do governo e a redução dos juros. Chamava-se déficit nominal zero porque pregava que a diferença entre a arrecadação e o total das despesas do governo, inclusive com juros, deveria ser reduzida a zero (hoje essa conta, chamada nominal, é deficitária). A proposta de Delfim, porém, não prosperou porque, na época, o ministro Palocci não concordou em assumir o compromisso formal de zerar o déficit nominal.
Bernardo explicou que estas conversas iniciais servirão para definir de que forma o debate poderá ser retomado e ampliado. ''O que percebi é que essa possibilidade de zerar o déficit nominal é uma coisa que todos consideram bem-vinda, mas talvez não seja desejável estabelecer isso como uma coisa mandatória, obrigatória, mas sim criar condições para zerar o déficit'', explicou o ministro.
Bernardo acredita que o governo não deveria deixar passar esta oportunidade. ''Estamos falando dos nossos interesses e eventualmente dos interesses da oposição que acredita que, no futuro, vai estar aqui no nosso lugar'', afirmou. ''A avaliação que estamos fazendo aqui sobre o programa fiscal do governo é que ele deveria ter uma preocupação de longo prazo. Quando se fala de fazer um programa fiscal bem-sucedido, estamos convencidos de que deveríamos estar falando uma coisa de sete a dez anos'', explicou o ministro.


