Representantes de diversas entidades do agronegócio participaram ontem pela manhã, na Assembleia Legislativa do Paraná, da segunda audiência pública com o intuito de discutir a possibilidade do Estado se tornar oficialmente área livre de febre aftosa sem vacinação a partir de 2018. Este foi o segundo encontro que coloca de um lado o governo estadual, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) – a favor do fim da vacinação prontamente – e de outro a Sociedade Rural do Paraná (SRP), a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), entre outras 19 entidades – que são contra o fim da vacina.
Na discussão de ontem, o governo estadual seguiu firme com a ideia de acabar com a vacinação já no segundo semestre. A Secretaria da Agricultura (Seab) quer finalizar a discussão até setembro e acha que ainda é possível colocar o plano em prática ainda este ano. Recentemente, o governo do Paraná fez o pedido formal ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para iniciar o processo para obter o reconhecimento do Estado como área livre da doença sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em 2017. Até lá o ministério deve analisar as condições técnicas do Estado, se elas estão de acordo com os critérios definidos pela entidade internacional, fazer uma sorologia no rebanho paranaense, suspender a vacinação que está prevista para novembro e, de posse dos resultados, enviar o pedido para a OIE no próximo ano.
Ambos os lados apresentaram questões técnicas acerca do assunto, mas o "cabo de guerra" tende para as entidades que representam o governo. O deputado Anibeli Neto, que presidiu a audiência, determinou a formação de uma comissão permanente para continuar discussão do assunto.
De acordo com o presidente da Adapar, Inácio Kroetz, é possível que a auditoria técnica do Mapa aconteça até setembro para avaliar todo os processos e estruturas do Estado. "Ficou definido que se criará uma comissão permanente com diversas entidades para continuarmos discutindo o assunto nos próximos meses. Ontem foi um debate interessante, todos expuseram suas ideias, mas precisamos avançar no próximo encontro. Eu acredito que conseguiremos acabar com a vacinação ainda este ano", decretou Kroetz.
Antes da primeira audiência, que aconteceu no dia 10 de maio, a SRP já havia enviado um ofício ao governo do Estado dizendo que é a favor de que o Paraná seja livre de febre aftosa sem vacinação, desde que ocorra de forma simultânea nos estados vizinhos: Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Santa Catarina já conquistou tal status há oito anos. "Seria interessante que todos adotassem, mas isso não significa que o Paraná não consiga tal status sozinho. O Mapa agora vai aguardar nosso posicionamento oficial para iniciar a auditoria. Vamos continuar discutindo, mas temos que resolver essa situação o quanto antes".
O presidente da SRP, Moacir Sgarioni, analisou a reunião como produtiva, mas está receoso com a velocidade que o governo deseja conquistar tal status. "Vamos aguardar o que as próximas reuniões técnicas vão definir. Vale dizer que não somos autossuficientes na produção de carne bovina e limitar fronteiras não é o ideal neste mundo globalizado em que vivemos".
O Estado calcula que o rebanho paranaense gira em torno de 9,5 milhões de cabeças, enquanto a SRP acredita que este número é quase metade disso. "Essa ação não vai beneficiar todos os segmentos da nossa cadeia produtiva. Pode ser interessante para os suinocultores, abrindo o mercados para eles, mas pode nos prejudicar consideravelmente. Essa decisão não pode trazer prejuízos a nenhum segmento. Inclusive, com a escassez de produtos, pode acontecer de cada vez mais entrar carne bovina desossada no Estado, prejudicando os pecuaristas".

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