Governo quer mudar legislação para facilitar novos empregos
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domingo, 02 de agosto de 1998
Doca de Oliveira Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai reunir-se esta semana com o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, e o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, para uma nova rodada de discussões sobre como criar novos empregos no País e também rever aspectos da legislação trabalhista que o governo considera ultrapassados. Existe já um certo amadurecimento, no meio sindical brasileiro, de que algumas modificações devem ser introduzidas na legislação trabalhista, indicou o presidente em entrevista concedida durante sua viagem a Juazeiro do Norte, no Ceará, onde cumpriu compromisso de campanha eleitoral, no final de semana.
Segundo o presidente, defasada, a legislação trabalhista nacional pode significar, em determinados casos, um entrave burocrático na criação de empregos. A nossa legislação foi feita noutra época, tem 50 anos, afirmou Fernando Henrique. Nós temos de ter a sensibilidade de mudar, acrescentou. O governo federal vai dar continuidade ao processo de flexibilização das leis trabalhistas, iniciado com a aprovação, pelo Congresso Nacional, do contrato temporário de trabalho.
Candidato a um novo mandato, o presidente vem mobilizando diversos escalões do seu governo para tentar amenizar a principal crítica de seus adversários e suavizar as dificuldades dos milhares de brasileiros que não conseguem um posto de trabalho no chamado mercado formal. A dois meses da eleição, o desemprego permanece como o mais difícil desafio do presidente-candidato, que conseguiu reagir em áreas como Saúde e no combate à seca do Nordeste.
Entre os focos de atenção do governo estão as associações de classe. O governo estuda a criação de um imposto sindical único como mecanismo para limpar o enorme volume de sindicatos que atuam no País. No Brasil, se cria sindicatos numa quantidade imensa, e o número de sindicalizados diminui, criticou Fernando Henrique. Porque o sindicato é criado cartorialmente, para aqueles que são donos dos sindicatos terem vantagens, atacou.
O presidente conta com o apoio das principais entidades de classe do País para conduzir essa revisão na remuneração sindical.


