O presidente Fernando Henrique Cardoso vai reunir-se esta semana com o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, e o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, para uma nova rodada de discussões sobre como criar novos empregos no País e também rever aspectos da legislação trabalhista que o governo considera ultrapassados. ‘‘Existe já um certo amadurecimento, no meio sindical brasileiro, de que algumas modificações devem ser introduzidas na legislação trabalhista’’, indicou o presidente em entrevista concedida durante sua viagem a Juazeiro do Norte, no Ceará, onde cumpriu compromisso de campanha eleitoral, no final de semana.
Segundo o presidente, defasada, a legislação trabalhista nacional pode significar, em determinados casos, um entrave burocrático na criação de empregos. ‘‘A nossa legislação foi feita noutra época, tem 50 anos’’, afirmou Fernando Henrique. ‘‘Nós temos de ter a sensibilidade de mudar’’, acrescentou. O governo federal vai dar continuidade ao processo de flexibilização das leis trabalhistas, iniciado com a aprovação, pelo Congresso Nacional, do contrato temporário de trabalho.
Candidato a um novo mandato, o presidente vem mobilizando diversos escalões do seu governo para tentar amenizar a principal crítica de seus adversários e suavizar as dificuldades dos milhares de brasileiros que não conseguem um posto de trabalho no chamado mercado formal. A dois meses da eleição, o desemprego permanece como o mais difícil desafio do presidente-candidato, que conseguiu reagir em áreas como Saúde e no combate à seca do Nordeste.
Entre os focos de atenção do governo estão as associações de classe. O governo estuda a criação de um imposto sindical único como mecanismo para ‘‘limpar’’ o enorme volume de sindicatos que atuam no País. ‘‘No Brasil, se cria sindicatos numa quantidade imensa, e o número de sindicalizados diminui’’, criticou Fernando Henrique. ‘‘Porque o sindicato é criado cartorialmente, para aqueles que são donos dos sindicatos terem vantagens’’, atacou.
O presidente conta com o apoio das principais entidades de classe do País para conduzir essa revisão na remuneração sindical.

mockup