O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, confirmou ontem que o governo já iniciou os estudos para que a mistura de anidro da gasolina seja novamente aumentada, agora de 24% para 26%, a partir do início de maio de 2002, quando tem início a safra 2002/03 do Centro-Sul. A adição de anidro está hoje em 22% e deverá ser aumentada para 24% a partir de 10 de janeiro de 2002.
Motivo: os estoques de passagem de álcool no Centro-Sul serão bem maiores que o inicialmente esperado. Segundo o analista Plínio Nastari, da Datagro Consultoria, os estoques de passagem serão, no dia primeiro de maio, de 750 milhões de litros, já considerando o aumento da adição no anidro da gasolina de 22% para 24% a partir de janeiro. Os estoques são expressivos e estão provocando uma queda nos preços futuros do anidro, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
O contrato com vencimento em maio/2002 já caiu 13,37% desde o início de dezembro e o de outubro/2002 que sinaliza o pico de produto disponível para consumo já recuou 14,91% no mesmo período. ''Os estoques esperados anteriormente eram bem menores e a expectativa era de que um aumento para 24% seria suficiente para escoar o produto'', disse Nastari.
Mas o sentimento é de que havia mais álcool nas mãos dos produtores que o inicialmente divulgado. O secretário Camargo reiterou que não há motivos para não aumentar a mistura de anidro da gasolina para 26% se existem estoques disponíveis e se a mistura é viável tecnicamente.
O aumento da adição de anidro na gasolina de 24% para 26% a partir de maio irá gerar um gasto adicional de 500 milhões de litros de anidro em 2002, segundo o analista Plínio Nastari.

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