Governo quer melhorar oferta de serviços informatizados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal pretende criar 6 mil telecentros no Brasil até 2006, para permitir o acesso da população mais pobre à Internet. ''Pela primeira vez, a inclusão digital é abordada de maneira séria no País, inclusive com previsão de gastos nessa área no Plano Plurianual, que define as metas do governo para os próximos anos. Além de disponibilizar computadores, temos que nos preocupar também em ensinar as pessoas a usá-los. No Brasil, apenas 8,3% da população tem acesso à Internet'', disse ontem o secretário de Logística e Tecnologia de Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. O secretário esteve em Curitiba, onde está sendo realizada a 2 Feira e Congresso de Tecnologias e Negócios de Informática e Telecomunicações (Infotel).
Um levantamento realizado pela Organização das Nações Unidas apontou o Brasil como o 18º país mais avançado na área do e-government, ou seja, a oferta de serviços informatizados à população. ''Temos ótimos exemplos nessa área, como a possibilidade de se realizar a declaração do Imposto de Renda pela Internet, ou a criação do sistema de licitações eletrônico, que reduziu os gastos do governo com compras em 25%. Porém, enfrentamos um grande problema, que é a dificuldade que muitos brasileiros têm para ter acesso aos computadores'', lembrou o secretário.
O secretário falou também sobre a adoção do software livre nos sistemas de informática governamentais, uma das prioridades do governo federal. Segundo Santanna, a maior utilização do software livre (que dispensa o pagamento de direitos a grandes fornecedores de programas como a Microsoft e a Sun) pode reduzir os gastos do governo na informatização dos sistemas, possibilitando o uso dos recursos economizados na expansão do acesso aos computadores para a população mais carente.
Ele lembrou que a utilização do software livre é uma das diretrizes do Ministério do Planejamento. ''A economia varia de acordo com o projeto, mas em alguns casos a utilização do software livre pode reduzir os gastos em uma proporção de 100 para um. Além disso, há a possibilidade de melhorias do software através dos órgãos do próprio governo, diminuindo a dependência em relação aos grandes fornecedores'', ressaltou Santanna. No Paraná, a economia com a adoção do software livre este ano chega a R$ 3,5 milhões, segundo dados do governo do Estado.
Outra tendência adotada pelo governo federal é a utilização de órgãos ligados a administração para a criação de programas informatizados. ''Com uma administração mais eficiente, os órgãos do governo podem suprir as necessidades na área de informática a um custo menor. Obviamente o governo continuará realizando licitações para a contratação de empresas privadas, mas tomaremos cuidado para que elas sejam realizadas de maneira mais técnica, evitando contratações a gastos elevados como detectamos no governo passado'', afirmou Santanna.


