Governo quer manter ações do Banestado
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Carmem Murara 
Marcelo AlmeiaAções de valorManoel Garcia Cid, em visita à redação da Folha ontem: O Banestado é um bom negócio A diretoria do Banestado e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, estão em fase de finalização de um projeto que prevê a manutenção do Estado como acionista do banco, apesar da privatização. A proposta é vender 51% ou mais das ações ordinárias, que estão em poder do governo do Estado, a um banco privado. O governo continuaria com um determinado valor de ações, que poderia ser de 49%.
A idéia de manter o governo como acionista foi confirmada ontem pelo secretário da Fazenda e pelo presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. O banco é um bom negócio e por isso o governo deveria manter parte das ações, afirmou Neco Garcia. Ele disse que toda a diretoria do banco aprova a manutenção do governo como acionista. A privatização também é um tema de consenso entre os diretores, garantiu.
O acordo firmado entre o Banco Central e o governo do Estado para sanear o Banestado prevê que o governo se retire do controle da instituição. Somente dessa maneira, o governo federal libera recursos para sanear a instituição financeira. Mas não há nenhuma cláusula que obrige o Estado a sair completamente. Se ficarmos como minoritários estaremos cumprindo o que prevê o Ministério da Fazenda, disse Garcia.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, afirmou que o projeto precisa passar ainda pelo crivo do Banco Central. A proposta de saneamento do banco junto com a idéia de se manter como acionista será encaminhada para o Banco Central. Falta a aprovação da matéria pela Assembléia Legislativa.
Giovani Gionédis disse que a estratégia foi montada para que o governo do Estado consiga recuperar aos poucos o dinheiro que está injetando no banco para saneá-lo. Se ficarmos como acionistas, vamos recuperar os R$ 2,6 bilhões que estão sendo investidos para o saneamento do Banestado, explicou.
O volume de ações que o governo do Estado poderia colocar à venda para a iniciativa privada ainda não está definido. O governo detém 61,63% das ações ordinárias (o percentual é calculado sobre os 33% que representam as ordinárias no bolo de ações do Banestado). É o mesmo que dizer que o governo tem 19% sobre o total das ordinárias (com direito a voto), o que lhe garante a condição de acionista majoritário.
Fazendo uma análise hipotética, Gionédis explicou que o governo poderia se desfazer de 19% das ordinárias ou de um percentual menor, vendendo os papéis para um banco privado. O banco privado ficaria com a maioria das ações e nós nos manteríamos como acionistas, explicou.
Há a hipótese ainda de o governo vender todas as ordinárias e ficar com uma cota de preferenciais. O Estado tem 32,77% das ações que não dão direito a voto. No total, o governo tem 47,20% das ações. Hoje, o patrimônio líquido do Banestado é de R$ 428,76 milhões.


