Curitiba - Empresários do agronegócio paranaense acusam a América Latina Logística (ALL), que ganhou a concessão para explorar a maior parte da malha ferroviária no Estado em 1997, de fazer investimentos tímidos diante da demanda de transporte existente no Estado. Também se queixam da elevação nos custos do transporte ferroviário no Estado que é vinculado à variação do transporte rodoviário.
As queixas não são recentes mas voltaram à tona, reforçadas com a entrada em cena do governo Roberto Requião (PMDB) que chamou as entidades que representam a economia do Estado para sugerir modelos de gestão para o transporte ferroviário no Estado. O governo do Estado quer dar mais agilidade ao escoamento de cargas via ferrovia afastando a Ferrovia Paraná S.A. (Ferropar), da gestão da Ferrovia Paraná Oeste S.A. (Ferroeste), que é concessão do governo estadual.
Representantes da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) identificaram no chamamento de Requião a oportunidade para debater novamente o modelo de exploração das ferrovias. As entidades alegam que o modelo vigente é monopolista e não tem a preocupação social de atender as necessidades dos pequenos produtores que não tem carga suficiente para preencher o volume mínimo de transporte fixado pela ALL.
O presidente da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, prefere aguardar a elaboração de um diagnóstico do modelo ferroviário instalado para se posicionar. Rocha Loures antecipou que a ALL e a Ferroeste, as duas únicas rodovias que operam no Estado, precisam se integrar com mais transparência no que se refere ao direito de passagem. A ALL é dona da estrutura ferroviária e, para operar, a Ferropar precisa desse direito para o uso dos trilhos.
A ALL explora 2,1 mil quilômetros de ferrovia, interligando as regiões Norte, Norte Pioneiro e Oeste à Ponta Grossa, Curitiba e ao Porto de Paranaguá. A Ferropar explora 248 quilômetros de ferrovia entre Cascavel e Guarapuava, como subconcessionária da Ferroeste, que é uma concessão federal. O trecho da Ferroeste foi construído durante o primeiro governo de Requião (1991-1994). Na época foram investidos na obra R$ 1 bilhão.
De acordo com o economista Nilson Hanke Camargo, assessor econômico da Faep, as ferrovias foram privatizadas mas o investimento mais esperado pelos usuários que era a construção de novos trechos para dar mais agilidade ao escoamento de safra não ocorreram. Ele se referiu ao trecho Guarapuava a Ponta Grossa, cujo trecho de serra representa um gargalo ao tráfego das locomotivas e vagões.
Já existe projeto para construção de um ramal ferroviário entre Guarapuava e Ipiranga, um trecho mais linear e moderno, cujo investimento está avaliado em R$ 200 milhões. Mas os empresários têm consciência que a viabilidade desse investimento deve ser respaldada pela Parceria Público Privada (PPP), que será lançada pelo Ministério do Planejamento.
O fato é que no Paraná a malha ferroviária existente não está acompanhando o crescimento da safra agrícola que vem batendo sucessivos recordes de produção nos últimos anos. Segundo Camargo, apenas 38% da produção agrícola do Estado são escoados via ferrovia, enquanto 62% são transportados via rodovia, com um frete no mínimo 20% mais caro, acrescido dos valores de pedágios.

mockup