Brasília - As novas regras que limitam o horário para veiculação de propaganda de bebida alcoólica deverão ser anunciadas em conjunto com a parte do Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronasci), que trata da venda de bebidas em bares e restaurantes à beira das estradas. A previsão é de que as regras sejam lançadas no dia 20, por meio de uma medida provisória (MP). Dentro do governo, porém, há quem defenda que, de acordo com a resistência dos setores produtivos, a regulamentação de bebida possa ser enviada para o Congresso como proposta de projeto de lei.
Para o ministro Temporão, a propaganda tem responsabilidade no consumo cada vez mais precoce de bebidas alcoólicas. Em sua opinião, as agências de publicidade e os fabricantes colocam o aumento do consumo em primeiro plano, sem nenhuma reflexão ética. Segundo pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas, entre 2001 e 2005 houve um aumento de 12,4% no percentual de jovens de 12 a 17 anos que bebem regularmente.
A campanha de prevenção ao consumo excessivo de álcool entra no ar hoje, no rádio e na televisão. São três filmes de 15 segundos que têm como foco os jovens, a violência e o trânsito.
As peças, veiculadas em TV e rádio a partir de hoje, alertam para os riscos associados ao consumo excessivo de bebidas. Numa delas, aparecem crianças brindando com refrigerante e, ao fundo, adultos bebendo - para mostrar o quanto os pais podem dar o mau exemplo aos filhos sobre a relação com a bebida.
Serão vários os filmes veiculados, entre eles ''O que a propaganda não mostra'', ''Adolescentes - Bebida não é brincadeira'' e ''Trânsito - Bebida não é só diversão''. Também está prevista a participação de artistas em um manifesto de apoio à iniciativa do ministério.
Artistas como as atrizes Zezé Polessa e Rosane Gofman, a cantora Sandra de Sá, e atletas que ganharam medalha nos Jogos Pan-Americanos, como a equipe feminina de ginástica rítmica, e Gabriel Reis, medalha de prata no pólo aquático assinaram um manifesto de apoio à campanha.
A campanha publicitária do governo para alertar os riscos do consumo excessivo já estava prevista na Política Nacional sobre Bebidas Alcoólicas, conjunto de medidas lançado pelo governo para reduzir o consumo e garantir tratamento a pessoas dependentes da bebidas. Estudos recentes estimam que pelo menos 10% da população brasileira seja dependente do álcool.
Embora a política traga uma série de ações, a que mais atraiu polêmica, até o momento, foi a proposta de restrição da propaganda de bebidas. O texto da resolução foi submetido à consulta pública e provocou um acalorado debate.

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