Brasília - A meta do governo é, até 2006, alcançar taxas de juros iguais às dos países emergentes, entre 3% e 3,5%, informou ontem o ministro do Planejamento, Guido Mantega, na Comissão Mista de Orçamento. ''Acredito que até o final do ano estaremos com uma taxa básica de 13%, ou seja, de mais ou menos 7% de juros reais'', disse o ministro, ao fazer uma exposição sobre o cenário macroeconômico do País e sobre as características do orçamento de 2004, que está sendo cumprido pelo governo. Segundo ele, a taxa ainda será alta para os padrões internacionais, ''mas abrirá perspectiva de uma taxa mais baixa no futuro.''
Mantega voltou a afirmar que os últimos dados sobre inflação mostram que o reajuste dos preços está sob controle e que a trajetória da taxa de juros básica, que passou para 16%, é descendente. Ele salientou que os juros reais estão declinando e que em fevereiro chegaram a um patamar menor do que 10% para um prazo de 365 dias. Com a redução da Selic na quarta-feira, os juros reais no País chegaram a um patamar de 9,97%. Segundo ele, o esforço fiscal feito até agora poderá garantir maior credibilidade para que os juros sejam reduzidos rapidamente. O governo, disse Mantega, optou por um modelo econômico ''que vai levar a juros menores, semelhantes aos praticados nos países emergentes''.
Provocado pelo deputado da ala radical do PT, Ivan Valente (RJ), que defendeu medidas econômicas como a centralização do câmbio e controle de capitais, Mantega disse que o governo chegou à conclusão de que esses ''caminhos são considerados uma loucura e uma irresponsabilidade, que levariam o dólar a R$ 5 e os juros para a estratosfera.''
O ministro argumentou que as decisões de política econômica do governo restabeleceram o equilíbrio e a credibilidade do País. ''Queremos diminuir a vulnerabilidade externa e ela está diminuindo, estamos nesse caminho'', sustentou. ''Tiramos a faca do pescoço e ganhamos credibilidade política, apresentamos uma política industrial e temos um Plano Plurianual, que é um planejamento de longo prazo'', salientou. ''Agora temos uma política industrial e neste país não se queria nem falar em adotar o governo como indutor do desenvolvimento'', ressaltou.
Mais uma vez, Mantega defendeu uma nova forma de cálculo para o superávit primário. Segundo ele, a inclusão dos investimentos das estatais no cálculo se deu porque havia desconfiança de que ''setores da União'' estariam classificando gastos com custeio como investimentos, o que não ocorre com o governo federal. Ao não contabilizar os investimentos, afirma, o País terá mais condições de dar sustentabilidade à relação dívida/PIB, já que os recursos liberados permitirão maior crescimento econômico. ''Para dar sustentabilidade à dívida, temos de aumentar o PIB'', argumentou.

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