Carmem Murara
O governo do Estado pretende propor à Renault uma mudança na injeção de recursos do Fundo de Desenvolvimento de Estado (FDE) na montadora. O FDE - órgão do governo do Estado responsável pelo financiamento de projetos industriais - repassou até agora R$ 200 milhões à Renault, de um total de R$ 300 milhões que foi estipulado como limite no acordo firmado com a montadora, por um período de sete anos. O próximo repasse de recursos deve ser definido no primeiro trimestre de 1999, quando o Conselho de Acionistas da Renault se reúne para uma assembléia geral, na qual será definida a necessidade de mais um aporte de capitais.
A intenção do governo do Estado é interromper o envio de dinheiro pelo FDE, transferindo esta função à empresa Paraná Desenvolvimento. Hoje, a Paraná Desenvolvimento representa o governo do Estado na sociedade com a montadora, detendo 40% do capital social.
O governo do Estado possui 100% do controle da Paraná Desenvolvimento. Com a mudança, seriam passados para a iniciativa privada 49% da empresa, livrando o Estado de ter que contribuir sozinho com os recursos para a montadora francesa.
‘‘Estamos negociando o congelamento da nossa participação na Renault’’, disse ontem o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Ele explicou que a intenção é estimular a iniciativa privada a entrar na composição acionária da montadora, como havia sido previsto no início da instalação da fábrica. ‘‘A gente quer que o dinheiro venha da iniciativa privada, pois assim livra o governo do encargo’’, completou, o secretário.
Por enquanto, a afirmação do governo do Estado de que em pouco tempo haveria um pool de empresas interessadas em se associar à Renault e livrar o Estado deste encargo não se concretizou. ‘‘A Paraná Desenvolvimento está aberta só que não há sócios’’, admitiu Gionédis. O secretário da Fazenda atribui esta situação à crise econômica mundial, que afasta investidores privados e ainda faz uma crítica à direção da montadora. ‘‘A Renault tem que abrir os números para a Paraná Desenvolvimento. Só assim, é que vai atrair sócios’’, afirmou.
Um dos fatores que estimularam o governo do Estado a estudar uma revisão no envio de recursos para a Renault foi a situação econômica do Paraná. ‘‘Cortamos folha de pagamento. Cortamos todos os penduricalhos. É justo fazer este esforço em outros compromissos do Estado’’, disse o secretário da Fazenda.
O dinheiro do FDE que é injetado na Renault vem do pagamento dos royalties, que o Estado recebe por ter construído a usina hidrelétrica de Itaipu. Caso o governo fique descompromissado de injetar mais R$ 100 milhões na Renault, o FDE poderá utilizar estes recursos para investir em novos projetos industriais. ‘‘Se pudermos economizar este dinheiro, conseguiremos aplicar em outros investimentos industriais e na recuperação de indústrias paranaenses’’, afirmou o secretário da Fazenda.

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