O Brasil gasta anualmente mais de R$ 2 bilhões com royalties de programas de computador, segundo informações da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), e a União é responsável por cerca de 50% desse volume. No Paraná, a despesa mensal com licenciamentos chega a R$ 1 milhão. Como alternativa para economizar neste setor, o governo do Estado, em parceria com instituições de ensino e empresas de tecnologia, desenvolveu o Programa Software Livre Paraná, apresentado ontem em Londrina, na sede do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval).
A cidade é a segunda do Estado a sediar a apresentação do projeto, que visa difundir a utilização de programas de acesso gratuito e código fonte aberto, ou seja, passíveis de modificações para adaptação às necessidades de cada usuário, cujo exemplo mais conhecido é o Linux, que subustitui com grande eficácia o gerenciador de programas Windows.
O encontro no Sincoval reuniu a deputada estadual Elza Correia (PMDB) - responsável pela vinda do projeto à Londrina -, o presidente da Celepar, Marcos Mazoni e o superintendente de Informática e Informações da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) Antônio Carlos Morozowski, além de representantes de prefeituras da região e da secretaria estadual para assuntos estratégicos.
A utilização de softwares livres em sistemas operacionais já poupou à Cohapar cerca de R$ 180 mil, que deveriam ser utilizados no pagamento de licenciamentos de programas comerciais, conhecidos como softwares proprietários. Além disso trouxe benefícios de ordem prática para a entidade, pois as adaptações necessárias aos programas para o funcionamento de acordo com a demanda da Cohapar podem ser feitas por técnicos da própria empresa.
Antônio Carlos Morozowski, um dos idealizadores do projeto, explica que a implantação de sistemas operacionais baseados em softwares livres foi praticamente uma exigência do governador Roberto Requião. ''Iniciamos a instalação de softwares livres em 150 terminais de computador, e a economia pode ser considerada muito superior aos R$ 180 mil em licenciamentos, se levarmos em conta os custos indiretos, eliminados com a melhor adaptação desses programas às nossas necessidades''.
Segundo Elza Correa, o Programa Software Livre Paraná faz parte de uma política de democratização do acesso à informática da atual gestão do governo. ''Acreditamos que dessa forma, estaremos expandindo o acesso aos meios de comunicação, barateando custos, ao mesmo tempo''. A deputada afirma ainda que já foram rompidos contratos relativos à tecnologia, estabelecidos durante o governo anterior, equivalentes a despesas de mais de R$ 200 milhões, considerados ''fraudulentos'' pelo governador atual.
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma das parceiras do projeto do governo e seu Núcleo de Processamento de Dados (NPD) já trabalha com a Celepar no aperfeiçoamento de um programa livre para envio de e-mails, conhecido como ''Direto''. E apesar de a universidade ainda não contar com a utilização efetiva de softwares livres, o diretor do NPD, Antônio Edson, acredita que a instituição poderá economizar milhões de reais em licenciamentos gastos anualmente. ''Além disso, a estrutura da cidade poderá ser utilizada como pólo de irradiação desse projeto''.

mockup