Governo quer fim da mistura de soja brasileira com argentina
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terça-feira, 01 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília - Para evitar problemas na venda de soja para a China - maior comprador do Brasil -, em 15 dias o governo vai chamar os exportadores e sugerir o fim da mistura das cargas brasileiras com lotes argentinos nos portos brasileiros, operação tecnicamente chamada de ''top off''. A informação é do assessor de Assuntos Internacionais do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Gilson Westin Cosenza. O ministério não marcou a data da reunião.
No começo de junho, em audiência entre representantes das embaixadas do Brasil e da China, o governo chinês reclamou que uma carga de soja importada do Brasil e da Argentina tinha excesso de umidade, plantas daninhas e porções significativas de terra.
A umidade proporciona o aparecimento de fungos, que favorecem o aparecimento da aflatoxina, substância cancerígena. ''Na época de colheita da soja brasileira, a umidade não é comum. No nosso sistema de colheita, mecanizado, também não é normal a mistura de grãos com muita terra'', afirmou Cosenza, sugerindo que os problemas não são da soja brasileira, mas sim da argentina.
Como os lotes de soja são misturados nos portos da Argentina e do Brasil - a Argentina alega que seus portos não têm calado suficiente para permitir que os navios saiam carregados -, não é possível confirmar a origem do problema. Cosenza não julga correto o governo brasileiro emitir um certificado para toda a carga de um navio, pois metade dela é embarcada em portos argentinos. Por isso, o governo vai sugerir aos exportadores o fim do ''top off''. Se os exportadores aceitarem a sugestão, ela valerá ainda para a safra atual.
Cosenza estimou que metade da soja brasileira que irá para a China em 2003 ainda não foi embarcada. Em 2002, os chineses compraram 11,5 milhões de toneladas de soja do Brasil.


