Governo quer exportar US$ 45 bilhões
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de abril de 1999
Adriana Fernandes e Lu Otta Agência Estado 
O governo quer elevar as exportações do setor agrícola dos atuais US$ 19 bilhões anuais para US$ 45 bilhões, num prazo de quatro a cinco anos. Foi o que afirmou ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, após almoçar com o ministro da Agricultura, Francisco Turra. Foi uma demonstração de apoio da área econômica do governo ao setor. Segundo Malan, o governo quer expandir a atividade econômica ligada ao agribusiness, aumentar o volume de exportações de produtos agropecuários e melhorar a oferta de emprego e renda do setor rural.
Também participaram do almoço o ministro do Orçamento, Pedro Parente, e os presidentes do Banco Central, Armínio Fraga, e do Banco do Brasil, Andrea Calabi. Foi uma reunião extermamente produtiva e construtiva, que tratou de questões de curto, médio e longo prazo e do futuro da agricultura brasileira, disse Malan.
Nenhuma nova medida foi anunciada. O objetivo do encontro foi demonstrar que o governo está em sintonia com o processo de modernização da agricultura brasileira, informou Turra. Essas reuniões terão continuidade, pois estamos trabalhando no plano agrícola para o ano 2000.
Para que a meta de expansão das exportações dos produtos agrícolas seja alcançada, porém, são necessários mais recursos para combater pragas. Segundo Turra, seria necessário aumentar em R$ 50 milhões este ano o orçamento do Ministério da Agricultura, para empreender o controle fitossanitário que viabilizaria o aumento das vendas brasileiras ao exterior nos níveis desejados. Nenhum compromisso nessa direção foi anunciado.
O presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, disse
que a desvalorização do real ante o dólar contribuirá para aumentar o superávit da balança comercial agrícola em cerca de US$ 6 bilhões neste ano. Ele citava estimativas feitas pelo consultor privado André Pessoa.
O saldo cresceria em função de exportações US$ 4 bilhões maiores e de redução da ordem de US$ 2 bilhões nas importações. A perspectiva é favorável para o crescimento das exportações do agronegócio para US$ 45 bilhões em quatro ou cinco anos.
As potencialidades estão aí para isso, comentou Malan. Ele citou a agricultura no cerrado como exemplo de áreas onde a produção do agronegócio está-se expandindo, de modo a permitir alcançar a meta de crescimento nas exportações. A expansão da atividade econômica no agronegócio permite a geração de renda e emprego, disse Malan.
Segundo Turra, atingir a meta significará a geração de 10 milhões de postos de trabalho.
Calabi informou, ainda, que o Banco do Brasil liberará de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões para o crédito agrícola neste ano. Somado às demais instituições financeiras, os empréstimos deverão chegar a R$ 11,9 bilhões. Ele informou que o BB financia cerca de 75% da safra agrícola, que deverá chegar a 83 milhões de toneladas neste ano. Estamos trabalhando no estímulo aos agricultores que têm pago em dia, disse Calabi.


