O governo quer elevar as exportações do setor agrícola dos atuais US$ 19 bilhões anuais para US$ 45 bilhões, num prazo de quatro a cinco anos. Foi o que afirmou ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, após almoçar com o ministro da Agricultura, Francisco Turra. Foi uma demonstração de apoio da área econômica do governo ao setor. Segundo Malan, o governo quer expandir a atividade econômica ligada ao agribusiness, aumentar o volume de exportações de produtos agropecuários e melhorar a oferta de emprego e renda do setor rural.
Também participaram do almoço o ministro do Orçamento, Pedro Parente, e os presidentes do Banco Central, Armínio Fraga, e do Banco do Brasil, Andrea Calabi. ‘‘Foi uma reunião extermamente produtiva e construtiva, que tratou de questões de curto, médio e longo prazo e do futuro da agricultura brasileira’’, disse Malan.
Nenhuma nova medida foi anunciada. ‘‘O objetivo do encontro foi demonstrar que o governo está em sintonia com o processo de modernização da agricultura brasileira’’, informou Turra. ‘‘Essas reuniões terão continuidade, pois estamos trabalhando no plano agrícola para o ano 2000.’’
Para que a meta de expansão das exportações dos produtos agrícolas seja alcançada, porém, são necessários mais recursos para combater pragas. Segundo Turra, seria necessário aumentar em R$ 50 milhões este ano o orçamento do Ministério da Agricultura, para empreender o controle fitossanitário que viabilizaria o aumento das vendas brasileiras ao exterior nos níveis desejados. Nenhum compromisso nessa direção foi anunciado.
O presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, disse
que a desvalorização do real ante o dólar contribuirá para aumentar o superávit da balança comercial agrícola em cerca de US$ 6 bilhões neste ano. Ele citava estimativas feitas pelo consultor privado André Pessoa.
O saldo cresceria em função de exportações US$ 4 bilhões maiores e de redução da ordem de US$ 2 bilhões nas importações. ‘‘A perspectiva é favorável para o crescimento das exportações do agronegócio para US$ 45 bilhões em quatro ou cinco anos.’’
‘‘As potencialidades estão aí para isso’’, comentou Malan. Ele citou a agricultura no cerrado como exemplo de áreas onde a produção do agronegócio está-se expandindo, de modo a permitir alcançar a meta de crescimento nas exportações. ‘‘A expansão da atividade econômica no agronegócio permite a geração de renda e emprego’’, disse Malan.
Segundo Turra, atingir a meta significará a geração de 10 milhões de postos de trabalho.
Calabi informou, ainda, que o Banco do Brasil liberará de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões para o crédito agrícola neste ano. Somado às demais instituições financeiras, os empréstimos deverão chegar a R$ 11,9 bilhões. Ele informou que o BB financia cerca de 75% da safra agrícola, que deverá chegar a 83 milhões de toneladas neste ano. ‘‘Estamos trabalhando no estímulo aos agricultores que têm pago em dia’’, disse Calabi.

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