O grupo de coordenação de Política Agrícola do governo decidiu ontem propor ao Conselho Monetário Nacional (CMN) medidas de apoio aos produtores nacionais de semente de milho numa tentativa de combater o risco do monopólio das multinacionais que estão comprando as pequenas empresas brasileiras. Entre estas medidas estão a fixação do limite de financiamento em R$ 3,5 milhões por empresa e a ampliação de 180 dias para 480 dias dos Empréstimos do Governo Federal (EGF).
‘‘O setor de sementes de milho está sendo ameaçado pelas multinacionais que estão comprando o mercado’’, resumiu o ministro da Agricultura, Francisco Turra, após a reunião do grupo de coordenação. Ele lembrou que o mercado está ficando nas mãos de ‘‘poucos’’, e o resultado disse é o aumento de preços.
Segundo o ministro, restam apenas 27 empresas nacionais neste setor e, por isso, considera que as medidas de apoio são muito importantes. O pedido de encaminhamento de voto ao CMN foi feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O financiamento total às empresas de sementes de milho é estimado em R$ 40 milhões e os recursos deverão vir das exigibilidades bancárias, com juros de 8,75% ao ano.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa, disse que o apoio às empresas nacionais de sementes de milho é ‘‘estratégico e importante’’ para o País. ‘‘Trata-se de uma alternativa contra o movimento de concentração que vem sendo verificado no mundo inteiro e também no Brasil’’, afirmou.
Exigibilidades O aumento das exigibilidades bancárias de 25% para 30% deverá ser decidido nas próximas horas, segundo o ministro da Agricultura, Francisco Turra. Ele disse ter conversado há pouco com o ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, e lhe pareceu que a ampliação poderá ser aprovada, pois o Banco Central (BC) estaria simpático à medida.
O BC precisa concordar com a redução do compulsório de 75% para 70% para que possa ocorrer o aumento da parcela dos depósitos a vista aplicada na agricultura. O secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa, disse que na reunião de ontem o grupo de coordenação de política agrícola do governo reiterou a necessidade de uma decisão ‘‘urgente’’ sobre as exigibilidades para a recomposição do volume de crédito para o custeio da safra. Segundo o secretário, o governo precisa recompor R$ 1,3 bilhão nos recursos de custeio da safra.ArquivoPequenos produtores
de sementes têm
dificuldade para
acompanhar tecnologia
das grandes empresasAgência Estado

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