De acordo com economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, a maior responsável pelo baixo crescimento do País - não apenas em 2006, mas de 1990 para cá - é a taxa de investimento, que tem ficado na casa de 19% do PIB. ''Isso leva a uma produtividade baixa, que, por sua vez, reduz a oferta da economia.'' Não é à toa, portanto, que o programa de governo de Lula para um eventual segundo mandato traz como um dos pontos-chave a elevação dessa taxa para 25% do PIB.
Sérgio Vale, economista da consultoria MB Associados, vai na mesma linha de seu colega da Sul América e absolve o Banco Central da culpa pelo crescimento abaixo do potencial. ''O BC tem seus argumentos para justificar a condução da política monetária'', disse. Segundo ele, países que adotaram o sistema de metas de inflação, como o Brasil, têm optado entre dois caminhos para reduzir os índices de preços: um rápido e outro gradual. ''O governo brasileiro escolheu o primeiro. O Chile fez esse ajuste em oito anos.''
Vale lembrar que o IPCA, índice oficial de inflação do País, caiu de 12,5% em 2002 para a casa de 4% este ano (segundo projeções de analistas do mercado financeiro para o acumulado entre janeiro e dezembro). ''Isso tem um custo em termos de atividade econômica, que foi potencializado pelos efeitos do real valorizado.''
Para o economista da MB Associados, o PIB potencial ''é a grande questão de hoje''. Na avaliação dele, essa estimativa, no Brasil, é baixa por causa, sobretudo, do gasto público elevado, que praticamente impede o governo de investir e inibe as empresas a fazê-lo.(L.M)

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