Rio - Menos de dois anos após obrigar o brasileiro a reduzir em até 20% a sua conta de energia elétrica, o governo quer agora aumentar o consumo de energia. Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, a idéia é criar mecanismos que levem os grandes consumidores, especialmente os eletrointensivos, a aumentar a sua cota mensal, por, pelo menos dois anos.
Em entrevista à Agência Estado, na segunda-feira à noite, pouco antes de fazer palestras para investidores reunidos pelo banco de investimentos UBS Warburg, no Copacabana Palace, Tolmasquim disse que o governo já conversou com a entidade que congrega os grandes consumidores (Abrace) e com a Associação Brasileira de Alumínio (Abal). ''Esperamos ter o plano detalhado em duas a três semanas'', disse Tolmasquim.
Nesse período de dois anos os grandes consumidores terão a garantia de fornecimento de energia ''a preços convidativos''. Além disso, deixarão de pagar tarifas mais elevadas no horário de 18 às 21 horas, o que facilitará o funcionamento da indústria por 24 horas. Atualmente há acréscimo no valor da tarifa nesse intervalo visando reduzir o consumo nesse momento, pois há coincidência entre o funcionamento nas indústrias e o retorno do consumidor às suas residências. Em contrapartida, as empresas que aderirem ao programa se comprometerão com objetivos definidos pelo governo, especialmente com a geração de empregos e com aumento das exportações.
O secretário do MME acredita que haverá grande adesão ao programa, pois há setores que estão trabalhando a plena carga, como é o caso da siderurgia. ''Nas consultas que fizemos tivemos como resposta a informação de que isso facilitará o aumento do consumo. Um empresário nos disse que mesmo aumentando substancialmente a sua produção conseguirá colocar o adicional sem nenhum esforço, apenas através de alguns telefonemas'', disse.
Segundo Tolmasquim, o governo ''já emitiu sinais'' de que quer incentivar o uso de energia elétrica pelos grandes consumidores na semana passada. Para ele, a intenção do governo é reduzir a distância entre as tarifas de energia elétrica da indústria em relação às das residências nos próximos quatro anos, acabando com os ''subsídios cruzados''. Isso seria feito com a redução do subsídio ao ritmo de 25% ao ano. Só que o governo reavaliou a situação e reduziu o subsídio em apenas 10% este ano ao aumentar a tarifa da indústria em ritmo mais acentuado do que o reajuste para as residências. A previsão é de outro realinhamento de 15% em 2004 (aumento para a indústria maior do que para a residência), adiando em cerca de um ano o aumento dos preços para os eletrointensivos. ''Se a redução do subsídio cruzado atingisse 25% este ano, poderia haver inibição adicional do consumo, que não queremos'', disse.
O esforço do governo para incentivar o consumo de energia resulta da constatação de que a sobra de energia no mercado é muito maior do que os técnicos do setor admitiam inicialmente. Além disso, os programas de geração e transmissão iniciados a toque de caixa nos últimos dois anos começam a ser inaugurados, ampliando a oferta de energia elétrica. Tolmasquim estimou que há uma sobra de cerca de 7.500 MW apenas por conta da ''descontratação'' das grandes geradoras federais.

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