Governo quer dobrar a exportação de cooperativas
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terça-feira, 13 de maio de 2003
Priscilla Murphy<br> Agência Estado 
Brasília - O governo planeja dobrar o volume de exportações das cooperativas agrícolas, hoje em US$ 1,1 bilhão (ou 5% da produção), por meio de um programa a ser lançado no início de junho. A iniciativa foi anunciada domingo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o diretor do Departamento Nacional de Cooperativismo (Denacoop), do Ministério da Agricultura, José Roberto Ricken, ''é uma opção de desenvolvimento'' do novo governo. ''Nunca tivemos uma situação em que o presidente da República fala de cooperativismo em todos os lugares onde visita.''
Segundo Ricken, a própria escolha do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, faz parte do plano de incentivar o desenvolvimento das cooperativas no Brasil por causa da sua experiência na área, inclusive no âmbito internacional. ''O ministro é o maior conhecedor do cooperativismo no Brasil'', diz Ricken.
Segundo o diretor do Denacoop, a renda do produtor cresce em média 11% quando ele está organizado numa cooperativa, segundo estudos do ministério. ''O pequeno produtor não tem outra alternativa'', diz Ricken, ressaltando que no Brasil, apenas cerca de 7% da produção vem das cooperativas, enquanto em outros países essa proporção chega a 80%.
Os detalhes do programa do governo para o incentivo das cooperativas agrícolas, incluindo a previsão dos recursos financeiros que serão direcionados para o projeto, só serão conhecidos em junho, quando será feito o anúncio oficial. E a vertente do programa ligada à área de crédito ainda está centralizada, sob sigilo, numa comissão responsável pelo assunto no Ministério da Fazenda.
Mas Ricken adianta que o trabalho para a organização e incentivo das cooperativas está baseado em três linhas. ''A primeira é estabelecer diretrizes dentro do governo para o cooperativismo'', diz Ricken. Só com as declarações do presidente Lula, diz ele, ''a sociedade despertou para isso''.
Segundo Ricken, já existe um canal de distribuição dos produtos que o Brasil ainda não soube aproveitar. ''Podemos exportar para as cooperativas de consumo da Dinamarca, por exemplo.''


