Rio de Janeiro - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem que a questão dos reajustes no setor de telefonia ainda é tema de diálogo entre o governo e as empresas. ''Há contratos e o governo respeita contratos, mas sugerimos ao setor que avalie esses aumentos e seu impacto sobre os próprios resultados das empresas, porque na verdade estamos fazendo um trabalho importante de combate à inflação e acredito que todos os setores devam procurar dar sua contribuição'', afirmou, ao saber, pela imprensa, da disposição das telefônicas em conceder um reajuste em torno de 25% em suas tarifas.
Ele disse que não deve haver nenhuma pressão sobre a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para vetar os reajustes, mas reiterou que o assunto ainda deve ser debatido com as empresas. ''O governo não tem esse tipo de relação com as agências. Nós dialogamos com muita naturalidade com as agências, nos setores de energia, de telefonia. Não há uma interferência nas agências desta maneira. Então acho que isso vai fazer parte de um diálogo e acredito que vai se chegar a um bom termo'', afirmou.
Segundo ele, os contratos do setor permitiriam um reajuste de até 38%, enquanto se fala em 24%, 24,5%. ''É pouco? Não, não é pouco. Vamos acompanhar e verificar o que é possível que a agência do setor possa coordenar para realizar, porque é a agência que coordena isso'', disse. Palocci informou que ainda não é possível medir o impacto inflacionário dos reajustes nas tarifas. ''Vamos avaliar isso do ponto de vista do impacto que isso tem sobre a inflação e do custo da telefonia para as pessoas'', afirmou.
Ele frisou que todo tipo de negociação ''tem de ser feito dentro do ambiente regulamentar normal e dentro de normas contratuais''. ''Não há nenhuma disposição de nenhum ministro nem do presidente de romper critérios contratuais'', ressaltou o ministro, que disse que soube do assunto pela imprensa, pois estava em viagem e não participou de nenhuma reunião durante o dia.

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