O governador Beto Richa disse ontem, em Ponta Grossa, desconhecer o envolvimento de servidores estaduais no esquema de fraude na venda de combustíveis em postos de Curitiba. ''Eu desconheço. Obviamente se eu soubesse, sendo confirmada (a denúncia) eu demitiria sumariamente. Sou intransigente com o desvio de conduta, com qualquer tipo de corrupção ou falta de ética. Eu estou tomando conhecimento agora desta denúncia. Vou procurar ver se tem qualquer ligação com membros do governo.''
Entretanto, o governador determinou ontem a apuração rigorosa das denúncias de fraudes. Segundo ele, o Ipem e as secretarias de Segurança Pública e Fazenda vão investigar a atuação de pessoas e empresas que agem contra os direitos do consumidor.
O governo destacou que na última semana de 2011, entre o Natal e o Ano Novo, três postos de combustíveis em Londrina e um em Curitiba foram multados, no valor total de R$ 28 mil, durante a operação Bomba Legal. A ação verificou regularidades fiscal e operacional. Agentes inspecionaram um componente eletrônico nas bombas que indica a quantidade de combustível colocada em cada veículo.
A fraude
No esquema, o consumidor compra o combustível e não leva tudo o que pagou porque o marcador da bomba é alterado via controle remoto, ou seja, quem compra está sendo roubado. Cleber Salazar, da Power Bombas, é acusado de ser o chefe da empresa que instalava as placas adulteradas e até ontem tinha autorização do Inmetro para fazer manutenção em bombas de combustível. Para a instalação do equipamento criminoso eram cobrados R$ 5 mil por bico de bomba, ou seja, num estabelecimento com 24 bicos, o ''empresário'' recebia R$ 120 mil.
Além dos postos da Grande Curitiba, estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro também foram flagrados cometendo a fraude. ''É um grande esquema e primeiro estamos fiscalizando a situação da Grande Curitiba. Além do trio que tocava a empresa também podem ter outros ''cabeças'', mas temos que apurar. Além disso, vamos ouvir os proprietários dos postos que tinham alguma ligação com o acusado'', explicou o delegado da Delcon, Jairo Estorilio.
O gerente do Posto Jóquei, localizado na Avenida Vitor Ferreira do Amaral, no bairro Tarumã, prestou esclarecimentos na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, ontem pela manhã. O posto seria um dos que mais lesava os consumidores em Curitiba: a suspeita é de que a cada 20 litros pagos, 1,4 litro não chegava ao tanque do carro. (R.C.J./Colaborou Nelson Bortolin)

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