O governo deverá negociar com as empresas que venceram o leilão da banda D da telefonia celular o pagamento antecipado da segunda parcela da venda, que venceria em 2002. Essa opção já vem sendo considerada como a melhor alternativa para garantir ao governo a arrecadação dos R$ 5,8 bilhões com a privatização das bandas C, D e E que está prevista no Orçamento da União. Mas depois do resultado da banda D, o governo está numa situação mais confortável, pois a receita obtida no leilão ficou acima do previsto inicialmente.
Nos cálculos feitos pela equipe econômica para estimar as receitas com as concessões não foi considerado nenhum ágio na venda. Assim, com um preço de R$ 2,642 bilhões, o governo conseguiu recompor em cerca de R$ 500 milhões a receita prevista com a banda C, que era de pouco mais de R$ 2 bilhões.
De acordo com fontes do governo, a possibilidade de antecipar o cronograma de pagamento é a principal razão pela qual o governo não reviu a projeção de receitas de R$ 5,8 bilhões com as concessões no decreto de programação de gastos para 2001.
Esse mesmo artifício foi usado na privatização da Telebrás, quando o Tesouro Nacional conseguiu que os investidores antecipassem cerca de R$ 1 bilhão dos pagamentos futuros. Para isso, o governo calcula o valor da parcela na data de pagamentos e aplica uma taxa de juros de mercado que funciona como um desconto. É o que os economistas chamam de ‘‘valor presente’’ e funciona como se uma dívida que fosse ser paga no futuro pudesse ser quitada antes do prazo por um valor que é equivalente ao da data do vencimento.

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