Brasília - O governo vai propor aos usineiros, na próxima semana, que reduzam o preço do litro do álcool anidro na usina para R$ 1 no período de entressafra, que vai até abril. No caso de as negociações fracassarem, o governo poderá decidir pela alternativa de diminuir a mistura de álcool na gasolina e reduzir o imposto sobre os combustíveis, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Essas medidas vem sendo estudadas para conter aumentos exagerados no preço do álcool, que podem ter impacto negativo para o governo neste ano eleitoral.
Ontem, no Ministério da Fazenda, houve mais uma rodada de reuniões no âmbito do governo para tratar do assunto. Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, que participa das negociações, o preço de R$ 1 por litro de álcool anidro nas usinas, nos períodos de entressafra, foi acertado entre os usineiros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003. ''A gente acha que pode haver simplesmente uma negociação e ser mantido o acordo que já fizeram com o presidente em 2003. Não tem necessidade de fazer nenhuma modificação'', afirmou.
A tentativa do governo de manter o acordo será tratada em reunião com os produtores privados na próxima semana. Mesmo acreditando no acordo, o governo não descarta a possibilidade de reduzir de 25% para 20% a mistura de álcool anidro à gasolina. ''Ainda estamos avaliando. Vamos conversar com os produtores para ver se há necessidade de fazer isso'', afirmou Hubner.
Com menos álcool na mistura, sobrariam 100 milhões de litros de álcool para abastecer o mercado, mas o preço da gasolina na bomba poderia aumentar, já que o derivado de petróleo é mais caro do que o álcool. Para amenizar essa possível alta, o governo pensa também em reduzir a Cide, que hoje é de R$ 0,28 por litro de gasolina.
A redução na Cide, cuja valor ainda não foi definido pelo governo, não provocaria perda de receita, na avaliação dos técnicos, uma vez que haveria um crescimento de arrecadação com o aumento do porcentual de gasolina na mistura. Dessa forma, uma coisa compensaria a outra. Segundo Hubner, esse corte no imposto ocorreria somente durante o período de redução da quantidade de álcool na mistura com a gasolina.

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