Brasília- O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o custo do crédito no Brasil não vem caindo no ritmo desejado. ''O que está baixando é a taxa de juros, principalmente por causa da queda da Selic. O spread não está baixando na proporção que deveria. Então é uma preocupação permanente'', afirmou o ministro. Spread é aquilo que os bancos cobram de seus clientes, nas operações de crédito, para cobrir custos administrativos, lucro, risco e tributos.
Mantega vem conduzindo, a pedido do presidente Lula, as discussões com os bancos públicos para a definição de medidas que levem à queda do spread bancário e, conseqentemente, dos juros cobrados dos clientes.
''Embora os bancos públicos já pratiquem taxas de juros menores que os bancos privados, elas ainda estão elevadas do ponto de vista da racionalidade econômica'', explicou. Mantega disse que as taxas cobradas pelo crédito consignado poderiam ser menores, considerando o comportamento da inflação e o grau de segurança do retorno do empréstimo.
O ministro sinalizou que pode haver uma redução das taxas de juros dos empréstimos concedidos com recursos dos fundos constitucionais, como solicitou o presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith. Segundo Mantega, esses juros eram menores que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), praticadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas com as últimas reduções da TJLP, hoje em 7,5% ao ano, ficaram defasados. ''Como há uma redução geral dos juros na economia brasileira, esses fundos que tinham juros baixos deixaram de ter. Provavelmente, vamos reduzi-los'', afirmou o ministro.
O presidente Lula tem pressionado os bancos oficiais a baixarem os juros para induzir as instituições privadas a seguirem o mesmo movimento. ''O governo está conclamando os bancos para que ele faça um trabalho no sentido que o spread caia'', disse Mantega. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, afirmou que o esforço conjunto dos bancos oficiais para reduzir os spreads bancários não irá comprometer ''a boa governança'' das instituições. ''Ficou muito claro que qualquer medida que estes bancos possam tomar para contribuir para reduzir o spread tem que ser uma medida que se encaixe dentro da estratégia competitiva dos bancos e não uma medida que se faça em detrimento da rentabilidade ou do bom funcionamento das instituições'', disse.

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