O governo federal anunciou na noite de sábado a manutenção até o fim do ano dos descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e caminhões. A programação anterior era que houvesse recomposição das alíquotas até os níveis originais em duas parcelas, uma hoje e outra no dia 1º de julho. Porém, o desempenho cambaleante neste início de ano da indústria automotiva, que responde por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, levou à prorrogação da desoneração para o setor.
No caso dos veículos com motor 1.0, o imposto continuará em 2%. Sem a medida, o índice passaria a 3,5% a partir de hoje e voltaria ao patamar de 7% em 1º de julho. São diferentes valores de desconto de acordo com o tipo de cilindrada (veja mais no infográfico ao lado).
A medida significa renúncia fiscal adicional de R$ 2,2 bilhões para o País até o fim de 2013. Com isso, há possibilidade de a arrecadação do governo crescer abaixo do índice da inflação neste ano. Isso porque as desonerações já em vigor devem resultar em perdas de R$ 53,2 bilhões, apesar de existir uma reserva de R$ 15,2 bilhões para novas reduções de alíquotas, segundo o Orçamento Geral da União.
Por outro lado, a prorrogação de descontos sobre o IPI de veículos garante a manutenção de emprego e renda de um dos setores mais importantes para o crescimento da economia nacional. O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flavio Meneghetti, afirma que o consumo caiu a partir de fevereiro e, apesar de não ter os números fechados de março, apresentava sinais de desaquecimento no último mês. A expectativa no início de ano era que o setor crescesse 3%, mesmo percentual da estimativa do governo para o crescimento do PIB, o que se mostrou difícil de ser atingido, na opinião do empresário. "Como o governo está sensível a qualquer possibilidade de redução da atividade econômica, manteve a desoneração."
Nos dois primeiros meses do ano houve reação da produção, depois de um ano de boas vendas. Foram contratados 1.819 trabalhadores até o fim de fevereiro, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O número total de funcionários chegou a 131,7 mil, bem próximo do recorde histórico do segmento, de 133,6 mil no fim da década de 80. O que preocupa os empresários, no entanto, é o aumento da quantidade de veículos nos pátios das montadoras. "Nossos estoques já são para mais de 40 dias, o que não é boa indicação. Quando passa de 20 a 25 dias, a luz amarela se acende", conta Meneghetti.
O diretor de Relações Institucionais da Anfavea, Ademar Cantero, considera positiva a medida. "Mantendo os níveis de vendas, você automaticamente está assegurando níveis de produção e, consequentemente, níveis de emprego", diz. Ele lembra que a redução do IPI reverteu o movimento de queda nas vendas do ano passado, o que levou a um crescimento de 4,5% do mercado.

Imagem ilustrativa da imagem Governo prorroga corte no IPI de veículos
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