O governo federal anunciou na noite de ontem a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca e móveis, com menor percentual de desconto. O benefício que venceria neste domingo passa a valer, com novas alíquotas, até 31 de outubro. A medida agrada empresários do setor, que temiam que o mercado esfriasse com a retomada de uma vez no valor do tributo.
Dirigentes do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) participaram na manhã de ontem de reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília, e afirmaram que ele sinalizou com a necessidade de fazer ajustes fiscais e a dificuldade em manter o benefício. A expectativa no setor era que ao menos o desconto diminuísse aos poucos, o que, de fato, ocorreu.
Na maior parte dos produtos o corte era de 50% do valor do IPI. No caso de insumos, a redução chegava a ser de seis vezes. O presidente do IDV, Flávio Rocha, disse que percebeu que o governo entende que precisa ao menos manter os níveis de consumo e combater a inflação, mas que não poderia abrir mão da receita com origem em tributos. "Deve sair uma solução intermediária", afirmou, antes do anúncio oficial.
A vice-presidente do IDV, Luiza Trajano, disse que há possibilidade de absorver o impacto no preço para o consumidor com a manutenção parcial do benefício. "A reação na ponta, se for uma alíquota menor (do IPI), dá até para segurar. Agora, se for uma alíquota muito grande, dificilmente a gente segura."
Para o diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) Ary Sudam, o reajuste total seria muito negativo para o setor. "Muitos dos resultados econômicos que o País obteve no último ano foram por causa dessas medidas (redução do IPI)", disse. Ele acredita que a decisão do governo foi a melhor possível. "Vai permitir que a atividade econômica continue a crescer. Mesmo que se reduza um pouco o benefício, a introdução de novos consumidores do Minha Casa Minha Vida vai manter o mercado."
Sudam se refere ao programa Minha Casa Melhor, que oferece crédito para compra de móveis para mutuários do Minha Casa Minha Vida. Os empresários consideram que o reajuste de uma vez no valor do IPI poderia reduzir a busca por produtos de uma nova classe de consumidores, pelo projeto recém-lançado.
Gerente da loja Móveis Brasília do Calçadão de Londrina, Aparecido Franceschini temia a volta do IPI cheio. "São justamente as vendas de linha branca e de móveis, além de computadores, que têm dado bons resultados ao varejo neste ano", disse, antes do anúncio do governo.

Prejuízo com protestos
Na reunião da manhã de ontem, os dirigentes do IDV aproveitaram para reclamar que lojas do setor tiveram de ficar fechadas por 10% do expediente nos últimos 15 dias, devido às manifestações populares. Rocha lembrou que os protestos ainda derrubaram o índice de confiança do consumidor. "O IDV entende que havia uma rota de recuperação bastante favorável mas, infelizmente, foram detidas pelos últimos acontecimentos. [As lojas] deixaram de vender em torno de 15% nas duas últimas semanas, em cima da expectativa." (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Governo prorroga corte do IPI para linha branca
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