Governo propõe medida para garantir preço do trigo
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segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governo federal propôs o lançamento do Prêmio de Risco da Opção Privada (Prop), um novo instrumento de comercialização para garantir ao produtor o preço mínimo para o trigo. A proposta foi feita pelo diretor nacional de Abastecimento, do Ministério da Agricultura, José Maria Dos Anjos, em resposta à produtores de trigo, cooperativas e representantes dos três Estados do Sul, que cobraram uma ação do governo federal para sustentar os preços do trigo no mercado, que despencaram abaixo do mínimo.
Anjos participou do Fórum do Trigo, que reuniu ontem em Curitiba produtores, cooperativas e donos de moinhos da Região Sul. Segundo produtores e cooperativas, o quadro está lastimável. Pelo segundo ano consecutivo, o trigo está sendo vendido com prejuízo por falta de demanda. Produtores estão vendendo o trigo por R$ 19,00 a saca com 60 kg, abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo em R$ 24,00 a saca.
Entre as causas dessa situação estão a queda dos preços do trigo no mercado internacional, a queda do câmbio que incentiva as importações do produto argentino, a falta de liquidez e as dificuldades de transportar o trigo para as Regiões Norte e Nordeste do País, em função de reserva no mercado de cabotagem.
O Prop, sugerido pelo governo, visa repassar diretamente ao produtor rural a diferença entre o preço que está sendo praticado pelo mercado e o preço mínimo. O diretor do Ministério da Agricultura admitiu que o governo federal ainda não tem os recursos do Orçamento liberados para saber quanto vai poder disponibilizar para bancar esse diferencial. Mas disse que, se os produtores do Sul concordar, esse instrumento poderá ser colocado em prática brevemente.
A proposta não foi muito bem aceita no Fórum. Ela transfere ao mercado a responsabilidade das operações de compra e venda de opções, que deve ser feita em bolsas de mercadorias. Os participantes questionaram Dos Anjos, que admitiu o funcionamento ineficiente do instrumento na comercialização do arroz e do algodão, em outros Estados. A maior dúvida é a dificuldade de exercer a opção de venda de trigo para outras Regiões do País, que seria a alternativa para valorização no preço do produto.
Dos Anjos disse ainda que o Ministério da Agricultura já antecipou recursos para sustentar a comercialização ao permitir o alongamento do custeio. O governo financiou R$ 571 milhões para o custeio que representou 50% da safra nacional.''Como o produtor vai pagar esse montante em cinco parcelas após a colheita, esse já é um mecanismo de comercialização'', conclui.


