Brasília - Para reduzir os subsídios do Tesouro Nacional ao BNDES, o governo decidiu, ontem, elevar em mais 0,5 ponto percentual, para 6% ao ano, a taxa de juros de longo prazo cobrada pelo banco estatal na maior parte dos seus empréstimos. A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado por Banco Central, Ministério da Fazenda e do Planejamento. Essa foi a segunda alta consecutiva da TJLP, que é fixada trimestralmente.
Seu último aumento aconteceu em dezembro, ainda na gestão da antiga equipe econômica, mas já sob orientação do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A taxa permaneceu em 5% de 2012 até dezembro de 2014, um patamar muito inferior ao da taxa básica de juros, a Selic. Cobrir essa diferença implica custos para o governo, que serão atenuados com a elevação aprovada nesta quinta. Mesmo assim, com o ciclo de alta da Selic, que está em 12,75%, e a inflação acima de 7%, essa diferença permanece alta.
Em nota, o CMN informou que a decisão da alta foi tomada "procurando refletir melhor as condições financeiras atuais e observando o cenário macroeconômico internacional". O governo já sente efeitos da elevação da TJLP em dezembro e também das taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Segundo dados do Banco Central, os empréstimos do BNDES a empresas caíram quase pela metade no primeiro bimestre deste ano em comparação com mesmo período do ano passado. Em janeiro e fevereiro, o banco financiou R$ 15,7 bilhões, enquanto que em janeiro e fevereiro de 2014, as empresas tomaram emprestado R$ 28,6 bilhões.

mockup