"Segurar" o valor do óleo diesel por seis meses e prorrogar por 12 meses os financiamentos de caminhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essas são duas das principais propostas apresentadas pelo governo federal ontem durante reunião em Brasília com líderes dos caminhoneiros. O governo também se comprometeu a sancionar na íntegra o projeto de lei, aprovado dia 11 de fevereiro na Câmara dos Deputados, que altera a Lei 12.619, a Lei do Descanso. Além de permitir aos caminhoneiros trabalharem mais horas por dia, o projeto isenta do pagamento de tarifa os eixos suspensos, quando o caminhão passa vazio pelas praças de pedágio.
Segundo o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, as propostas estão condicionadas à suspensão do protesto dos caminhoneiros, e o governo espera ver o fim do movimento "no prazo mais curto possível".
Ontem à tarde, antes do anúncio das propostas, o juiz Oscar Alberto Mezzaroba Tomazoni, da 1ª Vara Federal de Londrina, havia concedido uma liminar para o desbloqueio das estradas de Londrina, Cornélio Procópio e Arapongas. A ação foi movida pela Advocacia Geral da União (AGU) e, segundo o advogado chefe do órgão em Londrina, Márcio Luís Dutra de Souza, tem como réus o Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina (Sindicam) e "pessoas incertas e não conhecidas".
De acordo com Souza, os caminhoneiros não podem ocupar nem a pista de rolamento e nem o acostamento. A decisão vale somente para as vias federais. Quem descumprir a liminar, segundo o advogado, fica sujeito à multa de R$ 50 mil por hora. Questionado sobre a decisão do juiz, o presidente do sindicato disse que ainda não tinha conhecimento da liminar e estranhou a decisão. "Como pode (a AGU) entrar com uma ação deste tipo se não estamos participando?", questionou.
No início da noite, o delegado da 7ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal em Londrina, Eddy Machado, afirmou ter recebido a notificação sobre a liminar, mas até o fechamento da edição, não informou que ações seriam tomadas. Os trechos de rodovias seguiam bloqueados em Londrina e Arapongas.

Reforço
A Força Nacional, órgão da Segurança pública, que tem o objetivo de oferecer reforço na área de segurança em situações emergenciais nos estados brasileiros, chegou na última terça-feira ao Estado para auxiliar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Paraná no cumprimento das ações judiciais.
Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), outra liminar obriga os caminhoneiros a desobstruírem as rodovias sob pena de pagarem R$ 5 mil por hora de multa. Em Foz do Iguaçu e em Ponta Grossa, os caminhoneiros também são obrigados a desocupar a via em ação movida pelas concessionárias.
Ontem, cerca de 20 policiais da Força Nacional estavam na região Oeste do Paraná. Caso houvesse necessidade, hoje eles se dirigiriam à região Norte do Estado, afirmou o chefe de Comunicação da PRF do Paraná, Wilson Martinez. "(Os policiais da Força Nacional) serão utilizados apenas se houver necessidade. Todas as negociações estão sendo pacíficas, não havendo a necessidade de uso da força."
Também ontem, foram desobstruídos seis pontos, de acordo com a PRF, a partir de negociações: Ponta Grossa, Guarapuava, Irati, Guaraniaçu, Medianeira e Foz do Iguaçu. A intenção, até o final do dia, era continuar as ações na BR 277, atingindo Ponta Grossa e região. Ainda restavam 21 pontos de obstrução nas rodovias federais, segundo a PRF.

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