SÃO PAULO - O secretário de Produtos de Base do Ministério da Indústria e do Comércio, Maurício Assis, disse ontem que o governo trabalha com o cenário de que a próxima safra de café deva ficar em torno de 20 milhões de sacas, quebra de 25% em relação à colheita do ano passado. A previsão representa uma revisão para baixo. Em novembro, o MICT trabalhava com o cenário de manutenção da produção em 25 milhões de sacas beneficiadas de 60 kg.
A menor safra brasileira e a escassez da variedade arábica no mercado internacional trazem a perspectiva de novas valorizações do produto. ‘‘As altas devem vir acompanhadas de correções para baixo nas Bolsas, mas o mercado é firme e o preço deve subir mais’’, prevê Luiz Hafers, presidente da Sociedade Rural Brasil.
Na Coffee, Sugar and Cocoa Exchange, de Nova York, as cotações voltaram ao patamar de US$ 1,20 por libra-peso, o que não se verificava havia sete meses. No mercado interno, os cafés finos registram valorização de 17% em 30 dias. A saca de 60 kg do Cerrado Mineiro chegou a R$145. O produto está sendo disputado intensamente pelas torrefações e pelos exportadores.
O presidente da Rural, Luiz Hafers, defende as vendas dos estoques oficiais, administrados pelo Ministério da Indústria e do Comércio. Para ele, um incremento no volume é inevitável ‘‘para não faltar café ao consumidor’’.
O presidente do Sindicato da Indústria de Café, Nathan Herszkowicz, considera necessário vender 3 milhões de sacas dos estoques até julho, 500 mil sacas mensais. Hafers considera esse número alto demais. ‘‘Os industriais sempre dizem que, por ser velho, o café dos estoques oficiais podem corresponder a no máximo 30% dos seus blends. Creio que com 250 mil/270 mil sacas as empresas estarão bem abastecidas’’, afirma.

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