Governo prevê recuperação na economia
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terça-feira, 31 de março de 1998
Agência Estado 
A economia brasileira começará a recuperar-se este mês, prevêem os técnicos do governo. O primeiro trimestre foi o período mais difícil do ano; haverá melhora no segundo trimestre e assim sucessivamente, disse ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, durante apresentação do Boletim de Análise Macroeconômica.
Um sinal importante dessa tendência, segundo o secretário, foi o crescimento de 10% na venda de automóveis em março sobre fevereiro. Além disso, lembrou o secretário, continua a trajetória de queda da taxa de juros, com reflexos positivos nas taxas de investimento e emprego. Os dados mostram que o primeiro trimestre, embora difícil, foi menos ruim do que se imaginava, disse Mendonça.
Apesar disso e dos sinais favoráveis ao crescimento econômico a partir de março, ele ainda considera precipitado rever as estimativas de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, em torno de 2%. Mendonça não quis comentar as perspectivas sobre a redução das taxas de juros a partir do próximo dia 15, quando se reúne o Comitê de Política Monetária (Copom).
Que há condições para uma nova redução, todos estão de acordo, disse ele. Dá para dizer que, em fevereiro, havia o temor de conflitos no Oriente Médio, e hoje esse temor desapareceu. O secretário ressalvou, no entanto, que os fatores determinantes da decisão sobre juros mudam a cada dia.
A taxa nacional de desemprego, que fechou fevereiro em 7,42% da População Economicamente Ativa, poderá apresentar alta nos resultados de março, quando ela tradicionalmente é maior. Mas deverá ficar estabilizada com relação a março de 1997, e depois começará a declinar. É uma taxa alta, mas nossa expectativa é de queda a partir de abril, disse Mendonça. O desemprego, sobretudo nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, tem levado a inadimplência da pessoa física a níveis elevados. A partir de março, porém, as indicações são de que o nível de atividade economica começará a crescer, por causa da redução das taxas de juros e também por efeitos sazonais, como as vendas no Dia das Mães e no Dia dos Namorados. Tudo isso terá reflexo na oferta de emprego, afirmou.
Mendonça explicou que o desemprego é gerado por três tipos de fator: o sazonal, que é o tradicional crescimento das taxas no início do ano; o conjuntural, que é o reflexo da elevação dos juros, que inibiu o consumo e os investimentos; e o estrutural, que é a reformulação do parque produtivo nacional. No estrutural, há o desemprego por aumento de produtividade mas, por outro lado, há o aumento de postos de trabalho surgidos em função dos investimentos.
O secretário disse ainda que o preço da cesta básica, que atingiu valor recorde desde o início do Real (R$ 121,44 em São Paulo), deverá cair. A razão mais forte para a elevação foi o atraso na colheita, disse ele. Com a colheita da safra, diminui a pressão sobre os preços de alimentos básicos, como o arroz e o feijão. Além disso, houve reajuste no preço de leite e derivados, que teve sua alíquota de importação aumentada.


