Governo prevê gasolina a R$ 1,47 a partir de janeiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>Do Rio 
O Ministério da Fazenda calculou em 16,8% a redução do preço ao consumidor da gasolina e em 14,6% a do óleo diesel, a partir de 1º de janeiro, em consequência da liberação dos preços de derivados de petróleo e a introdução do novo imposto único, a Contribuição da Intervenção do Domínio Econômico (Cide).
O litro da gasolina na bomba deverá cair de uma média de R$ 1,75 para R$ 1,47. Como gasolina e diesel influenciam todo o sistema de transportes de mercadorias do País, espera-se um efeito cascata positivo sobre a queda da inflação de janeiro e fevereiro do próximo ano.
Com a liberação do mercado de derivados de petróleo, os preços tenderão a subir quando aumentar o petróleo no exterior e o dólar no Brasil. E a cair quando o movimento for inverso.
Na sexta-feira, representantes do Ministério da Fazenda vão reunir-se com técnicos da Petrobras para definir os novos preços dos derivados de petróleo na porta da refinaria, antes de chegar ao consumidor. A expectativa é de uma queda maior, de 22% para a gasolina e 19% para o diesel.
Como os preços na bomba serão totalmente liberados de qualquer controle do governo, espera-se um porcentual de queda menor para o consumidor, porque as distribuidoras tenderão a recuperar margem de lucro. Mas isso ocorrerá num primeiro momento, acredita o Ministério da Fazenda, enquanto a concorrência com os derivados importados ainda for precária.
Nesta etapa o governo pretende usar a rede de 7 mil postos da BR Distribuidora, espalhados pelo País, para forçar a queda de preços no varejo.
No decorrer de 2002, as empresas se organizarão para importar derivados de petróleo e passar a concorrer com a Petrobras, que detém hoje 96% do mercado de derivados no País. Até que isso ocorra, a estatal continuará usufruindo as vantagens do monopólio, mas ela já foi avisada que não poderá cometer abusos de preços. O governo vai exercer o sistema de ''liberdade vigiada'', mas acredita que, ao contrário, a Petrobras vai optar por oferecer preços mais baixos porque é de seu interesse desestimular as empresas a se organizarem para importar.
Com a liberação total, no atacado e no varejo, de todos os derivados de petróleo, será extinto o sistema de preços administrados que prevaleceu desde 1954, quando foi criada a Petrobras e decretado o monopólio estatal. Com isso, também encerra-se o capítulo de uma parafernália de subsídios, em que a gasolina pagava pelo óleo diesel ou pelo gás de cozinha, ou o próprio Tesouro assumia o custo.
Agora, o governo decidiu manter subsídio apenas para o GLP (gás de botijão), mas o transferindo do preço diretamente para o consumidor. Do valor que for arrecadado com a Cide, R$ 1,3 bilhão serão reservados para um programa de subsídio direto às famílias cadastradas no programa Bolsa-escola, que passarão a receber, junto com os R$ 15,00 da bolsa, mais R$ 7,00 por mês para ajudar a comprar o botijão de gás. Hoje há pouco mais de 9 milhões de famílias cadastradas neste programa.


